'Não gosto de fazer mocinhas, na vida já me sinto nesta posição', diz Deborah Secco

Lucas Bulhões
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As personagens intensas que marcam a carreira de Deborah Secco estão cada vez mais distantes do dia a dia da atriz. Aos 41 anos, ela viu na reclusão imposta pela pandemia de Covid-19 uma oportunidade para valorizar a tranquilidade da vida familiar. De volta à TV em em duas novelas — "Salve-se Quem Puder" e "Laços de Família" —, Deborah passa a quarentena em uma casa de praia com o marido, Hugo Moura, e a filha, Maria Flor, de 5 anos. Enquanto investe na carreira de produtora, é também uma das mais dedicadas espectadoras (e comentaristas) do "BBB 21": com direito a aposta de campeã para o programa.

— Nunca tive tanto tempo para ficar com minha filha, ainda mais sem ajuda — diz a atriz. — Ficamos só nos três, e lá em casa é tudo dividido entre eu e Hugo, foi muito importante para nossa relação, nos conectamos. Eu pude ver o que é de fato importante.

Deborah interpreta a exuberante Alexia em "Salve-se Quem Puder", que volta no horário das 19h a partir desta segunda (22); e a manipuladora Íris, em "Laços de Família", no ar nas tardes em "Vale a Pena Ver de Novo".

— Não gosto de fazer mocinhas, na vida já me sinto nesta posição — avalia a atriz. — Tento interpretar personagens muito distantes de mim, para me sentir atuando mais. Gosto de mulheres diferentes, tanto em energia quanto em conduta, eu busco por aquelas com uma intensidade que não tenho.

Beijos em bolinhas de tênis

São 20 anos de diferença entre as duas novelas, e ela ainda percebe Íris como um março em sua carreira: com o sucesso da trama de Manoel Carlos, foi sua primeira personagem que a fez "não conseguir sair na rua" e ganhar os holofotes por todo o país. "Salve-se quem puder" trouxe desafios opostos. A novela teve as gravações suspensas em março de 2020 após o início da pandemia, um período traumático para Deborah, em meio ao isolamento em casas e o medo que acompanhou todo o mundo nos primeiros meses da pandemia, em que pouco se sabia sobre a doença.

As gravações retornaram em agosto, com protocolos que mudaram a forma de fazer novela. A pós-produção foi a maior aliada das novas normas de segurança, com beijos em bolinhas de tênis, depois transformadas digitalmente no rosto dos atores. Placas de acrílico para separar as pessoas e videochamadas também viraram recursos essenciais.

— Foi um misto de emoções. Estava traballhando como uma doida e do nada presa em casa. — lembra Deborah. — Uma novela exige proximidade e calor humano, é muito diferente ter que lidar com todas as restrições. Mas me sinto vivendo uma revolução, minha filha vai contar para as filhas dela sobre essas mudanças e esse momento.

Trabalho e BBB

Neste ano de isolamento, Deborah investiu na carreira de produtora e atualmente está desenvolvendo 5 projetos de séries e filmes. Nos intervalos, está sempre nas redes sociais comentando o "BBB 21", com tanta dedicação que às vezes aparece até mesmo na edição do programa — e já tem sua participante favorita.

— A Juliette já ganhou o programa, a menos que faça algo muito ruim e perca a torcida, o que acho difícil.

Para Deborah, o reality está longe de ser apenas uma diversão alienada, pois reflete questões atuais da sociedade. Entre muitos exemplos, ela cita a relação entre Carla Diaz e Arthur.

— Apesar de ser uma situação difícil, é curioso ver o quanto ela não entendeu que ele não a quer. A sociedade coloca a mulher neste lugar de aceitar migalhas, e eu entendi isso há pouco tempo. É difícil perceber que não podemos aceitar qualquer coisa, e nós estamos vendo isso.

Os fãs mais antigos do reality vão se lembrar que a atriz já ficou confinada na casa, no "BBB 8", mas apenas em uma participação especial de 24 horas. Mas participar de uma edição completa, agora que o "BBB" está na segunda edição com famosos, não é uma opção.

— Não aceitaria, eu não conseguiria ficar longe da minha família. Esse programa envolve muita exposição, tem uma energia de saudade lá dentro, você fica sem saber de nada, é angustiante. E eu fiquei apenas 24 horas, imagina por meses? — questiona.