Não há acordo entre o Kosovo e a Sérvia

Terminaram sem acordo as conversações entre o Kosovo e a Sérvia, mas Pristina decidiu adiar por 48 horas a aplicação de multas aos veículos de matrícula sérvia em território kosovar, a pedido dos Estados Unidos.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, acusou o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, e o primeiro-ministro kosovar, Albin Kurti, de "comportamento pouco construtivo".

Bruxelas e Washington temem que a questão das matrículas faça crescer a tensão na região. O Kosovo, que autoproclamou a independência - nunca reconhecida pela Sérvia -, quer que cerca de dez mil veículos em circulação no país com matrículas sérvias mudem as placas para matrículas kosovares, o que Belgrado contesta.

O plano de Pristina inclui várias fases. Depois do aviso, é agora o momento de começar a cobrar multas, seguido de proibição de circulação dos veículos para os infratores.

O primeiro-ministro do Kosovo acusa o chefe da diplomacia europeia de se focar apenas nas matrículas, em vez de querer a normalização dos laços entre os dois países; o presidente sérvio diz que "vêm aí noites sem dormir".

A presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, acusou Josep Borrell de ser "descaradamente tendencioso" e apresentar "uma realidade completamente distorcida".

Os sérvios que vivem em Mitrovica, no norte do Kosovo, não parecem recear esta tensão latente.

Uma mulher diz: "Bom, não sei. Acho que tudo ficará bem".

Um jovem afirma: "Não, não, não há medo. Vivemos aqui desde que nascemos, estamos habituados a esta situação. Sim, há tensões, há, mas não há medo, pelo menos aqui. Os mais velhos podem ter medo, mas nós, os jovens, não".

Outra mulher diz, convicta: "Não estou preocupada porque o Kosovo é sérvio e continuará a fazer parte da Sérvia".

Apesar da aparente descontração dos sérvios do Kosovo, a preocupação internacional é grande de que o conflito possa reacender-se. Os soldados da KFOR, a missão da NATO no país, mantêm-se vigilantes.