'Não há vida boa sem bons governos', diz o cineasta Guilherme Coelho

‘Governos importam”. A frase estampada em uma faixa pendurada no casarão da Rua Dona Geralda 25, no Centro Histórico de Paraty, dá uma ideia do que será discutido debaixo daquele teto nos próximos dias, durante a Flip.

Passado. 'Nossa historiografia é colonial, masculina e sudestina', diz antropóloga Lilia Schwarcz

Protagonismo. Designer maranhense cria um rosto para Maria Firmina dos Reis

É ali que o República.org, instituto dedicado a desenvolver e apoiar iniciativas que valorizem profissionais do serviço público, instalou seu QG para realizar programação que reforça os princípios da organização: a importância dos governos e das pessoas que fazem a engrenagem funcionar para o país e a democracia.

No casarão, estão agendadas mesas com escritores-servidores premiados como Itamar Vieira Jr. Funcionário do Incra e autor do fenômeno literário “Torto arado”, ele fala no sábado (26), às 10h30. Paulliny Tort, servidora da Empresa Brasileira de Comunicação e autora de “Erva braba”, participa de mesa no mesmo dia, às 17h; nesta quinta (25), às 15h30, é a vez de Mariana Salomão Carrara, defensora pública e autora de “Se Deus me chamar não vou”.

Circularão por ali ainda intelectuais e gente que pensa o Estado e o futuro do país. Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, que foram servidores, são temas de mesas.

A ideia da Casa Republica.org, aliás, surgiu inspirada no emocionante texto do romancista Rubens Figueiredo, publicado em 2019, relembrando seus anos como professor.

Entre as iniciativas realizadas pelo instituto também está o encontro da francesa Annie Ernaux, prêmio Nobel de Literatura em 2022, com o escritor brasileiro Geovani Martins, autor de “O sol na cabeça”. Ernaux é ex-professora de escola pública. Martins, ex-aluno do ensino público. A dobradinha acontece na Casa Folha, parceira na ação.

Se há algo que a pandemia de Covid-19 veio reafirmar é a ideia de que que governos importam, como diz a tal faixa. Mais que tudo, esse é um lema que rege o República.org, fundado em 2016 e composto por um conselho de 12 pessoas — de líderes sindicais do setor público a integrantes da equipe de transição do novo governo.

— A gente investe no reconhecimento de pessoas que são excelentes e trabalham em governos, com projetos como o Prêmio Espírito Público — explica o cineasta Guilherme Coelho, fundador da organização.

O foco é discutir a gestão de pessoas e, por consequência, melhorar a comunicação no trabalho.

— Minha avó, que faleceu no ano passado, falava que a gente trabalha com relações humanas. Nada mais certeiro. Melhorando a qualificação de quem trabalha em governos, a gente melhora os serviços públicos e, assim, melhora nossas vidas — acredita.

A proposta, segundo Guilherme é criar “um movimento, uma onda boa, um abraçado no Estado brasileiro, nas pessoas que trabalham por nós”. Falar sobre isso é o primeiro passo para envolver mais gente. E a Flip, o lugar perfeito para “espalhar a palavra”.

— Queremos sensibilizar uma turma que está fora desse papo, mas é curiosa e influente. É preciso sair da estase em que estamos, chegar num amadurecimento de linguagem sobre o Estado e nossas expectativas. Aí, vamos virar o jogo. Não há vida boa sem bons governos. O Estado presente, competente, responsivo, responsável importa. Entender o Estado como fundamental à democracia, à sociedade. Temos que dar um drible nesse baixo astral de que o Estado não presta, que as pessoas não trabalham. Isso é tudo papo furado.