Não haverá perda de vacinas da AstraZeneca após incêndio, diz Instituto Serum

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Imagem de vídeo mostra fumaça durante incêndio em complexo do Instituto Serum, em Pune, na Índia

NOVA DÉLHI (Reuters) - O Instituto Serum da Índia (SII), o maior fabricante mundial de vacinas, disse nesta quinta-feira que a produção da vacina contra coronavírus da AstraZeneca não será afetada por um incêndio fatal em sua sede no Estado de Maharashtra.

Vídeos e fotos da ANI, uma parceira da Reuters, mostraram fumaça negra emanando de um edifício cinza do complexo gigantesco que sedia o SII em dezenas de hectares na cidade de Pune, na Índia. O incêndio, que a polícia disse ter matado cinco pessoas, já foi controlado, mas não apagado.

"Pranteamos o fim desafortunado destas cinco pessoas", disse o departamento de polícia de Pune no Twitter. "Realizaremos uma vistoria minuciosa das dependências assim que o fogo for debelado."

O governo de Maharashtra disse que o incêndio pode ter sido causado por um defeito elétrico durante o trabalho de construção.

O SII licenciou a vacina contra coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, e também está planejando iniciar o armazenamento de até 50 milhões de doses por mês de uma candidata a vacina desenvolvida pela Novavax Inc aproximadamente a partir de abril. Muitos países de renda baixa e média, que vão de Bangladesh ao Brasil, dependem da entrega da vacina da AstraZeneca por parte do SII, que a batizou de Covishield.

"Gostaria de tranquilizar todos os governos e o público de que não haverá nenhuma perda na produção da Covishield devido aos diversos edifícios de produção que eu mantive de reserva para lidar com tais contingências", disse o executivo-chefe do SII, Adar Poonawalla, no Twitter.

Segundo citação da emissora CNBC-TV18, Poonawalla, cuja família é proprietária do SII, disse que o incêndio provocará atrasos no lançamento de novos produtos e uma perda de renda equivalente a mais de 137 milhões de dólares.

Equipamentos no valor de milhões de dólares foram danificados, explicou ele.

Mas uma fonte a par do assunto disse que a fabricação das vacinas contra Covid-19 não será afetada e que nenhum dos novos equipamentos de produção de vacinas do edifício pegou fogo.

O SII está produzindo cerca de 50 milhões de doses de uma vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca por mês em outras instalações do complexo, e planeja chegar a até 100 milhões de doses em breve.

A vacina da AstraZeneca já está sendo usada na Índia, e também foi enviada a países como Bangladesh, Nepal, Maldivas e Butão.

Nesta quinta, o secretário de Relações Exteriores da Índia, Harsh Vardhan Shringla, disse à Reuters que o país começará a exportação comercial da vacina na sexta-feira e que as primeiras remessas terão como destino o Brasil e Marrocos.

O Brasil, que tem o segundo maior número de mortes da Covid-19 depois dos Estados Unidos, vinha cobrando da Índia o envio de 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca que poderão agora ser importadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

(Por Krishna N. Das, Rajendra Jadhav, Euan Rocha e Devjyot Ghosha)