Não pode ficar gastando se pode produzir aqui, diz Bolsonaro sobre vacina

DANIEL CARVALHO
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  07-01-2019 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 07-01-2019 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Depois da demora para começar a imunizar a população contra Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta sexta-feira (29) que está buscando recursos para produzir uma vacina nacional. Para ele, não se pode gastar comprando vacinas quando, segundo o mandatário, é possível fabricar um imunizante aqui.

"Talento não falta no Brasil. Nós temos aqui gente que cada vez mais nos surpreende em todas as áreas. Um [é] até o Marcos Pontes [ministro da Ciência e Tecnologia] que está quase acertando aí. 300 milhões [não especificou a moeda] é grana para burro, não temos orçamento, estamos acertando com uma outra área aí, não vai ser do BNDES, não, fica tranquilo [falou dirigindo-se ao presidente do banco, Gustavo Montezano], fazer a nossa vacina", afirmou.

"Quem diria, né, fazer a nossa vacina. Porque a vacina que está aí pessoal sabe que a data de validade está em torno de seis meses e não pode ficar comprando isso, gastando bastante se pode produzir aqui", afirmou.

Hoje, a imunização contra Covid-19 no Brasil está sendo realizada com a Coronavac, vinda da China, e a Oxford/AstraZeneca oriunda da Índia.

O Instituto Butantan ainda aguarda autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para utilizar as doses produzidas em São Paulo.

A fabricação de novos lotes de imunizantes depende da chegada de insumos farmacêuticos que vêm da China.

As declarações de Bolsonaro foram dadas em um discurso em cerimônia com esportistas fechada à imprensa, mas transmitida pelos filhos do chefe do Executivo em suas redes sociais. O evento não aparece na agenda oficial do presidente.

Como a Folha revelou, o governo Jair Bolsonaro cortou 68,9% da cota de importação de equipamentos e insumos destinados à pesquisa científica. A medida afeta principalmente as ações desenvolvidas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no combate à pandemia da Covid-19.

Em 2020, o valor foi de US$ 300 milhões (R$ 1,6 bilhão, em valores de hoje). Para 2021, serão apenas US$ 93,29 milhões (R$ 499,6 milhões).

A cota de importação é um valor total de produtos comprados de outros países, destinados à pesquisa científica, que ficam livres de impostos de importação.

Na noite de quinta-feira (28), o governo admitiu a redução no valor da cota e disse que houve "ruído de informações" e que busca "com urgência" uma solução para o problema orçamentário.