'Não pode mais ser aquela história de ou tiro na cabecinha, ou a sociologia', afirma Paes sobre segurança pública no Rio

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A crise na segurança pública do Rio foi um dos principais temas abordados pelo governador Claudio Castro e o prefeito Eduardo Paes em um painel digital nesta quinta-feira, em um hotel em Copacabana. Paes frisou que o problema afeta a percepção sobre a cidade o estado. "Não pode mais ser aquela história de "ou tiro na cabecinha, ou a sociologia", frisou. Já Castro apontou as medidas tomadas para a redução dos índices de criminalidade, com combate ao tráfico e à milícia. O evento foi promovido pela rádio Band News FM no Hotel Fairmont e teve como norte a retomada econômica e social do Rio. O presidente da Fecomércio-RJ, Antonio Queiroz, também participou do evento.

Em refência a uma declaração feita no passado pelo ex-secretário de segurança José Mariano Beltrame, de que a prefeitura não entrou junto do projeto das UPPs, Paes disse que esta foi uma desculpa encontrada para o que já estava fracassando:

— Aquilo foi uma desculpa para a incompetência. Historicamente, a gente tem visto os governantes do Rio fazerem justificativas das mais variadas possíveis, menos assumir a responsabilidade. Nós temos um problema de segurança pública que afeta a percepção sobre a cidade o estado. Não pode mais ser aquela história de "ou tiro na cabecinha, ou a sociologia", não dá. Esse problema tem que ser enfrentado da maneira que o governador está falando aqui. Óbvio que o mundo ideal ali no Jacarezinho era que 25 pessoas tivessem sido presas e não mortas pelo estado. Eu não conheço as circunstâncias do que aconteceu ali.

Sobre a ação no Jacarezinho da Polícia Civil, a mais letal da História do Rio, Castro afirmou que uma investigação está em curso para apurar o que aconteceu. Ele destacou que hoje o estado busca enfrentar o tráfico com medidas como asfixia financeira e prisão dos chefes das quadrilhas:

— Não adianta tentar achar um culpado. Se fosse fácil, alguém já tinha resolvido. A fórmula que a gente achou hoje é a da asfixia financeira, da prisão das lideranças, impedir que armas e drogas entrem no Rio e ter uma polícia bem treinada. Na época da UPP, entraram 10 mil policiais militares de uma vez só. Como é que você põe 10 mil policiais para dentro? Com certeza, foram mal treinados. Hoje, nos aumentamos a duração nos cursos e isso vai dar um resultado melhor. Já está dando.

De acordo com Castro, os índices de segurança pública estão melhorando mensalmente, com queda de 18% dos roubos de carga este ano. Ele mencionou ainda que foram mais de 600 milicianos presos; e houve bloqueio de R$ 1,5 bilhão de bens de empresas e pessoas físicas ligadas à milícia.

O governador também citou o programa Segurança Presente como um dos pontos do projeto para melhorar a segurança pública e anunciou que, no próximo mês, pretende implantar o programa Bairro Seguro, de policiamento local, fora das áreas turísticas, além de uma novo modelo de ocupação das comunidades diferente das UPPs.

— E não pode ser uma ocupação simplesmente feita pela Polícia Militar. Se não tiver a Polícia Civil junto e um processo de investigação, de asfixia financeira (do crime). Por exemplo: o Rio de Janeiro não produz arma nem droga, e isso entra por onde? Pela Baía da Guanabara e pelas estradas. Então você tem que ter uma união do governo federal com o do estado. Tem que ser um trabalho coletivo — disse o governador.

O governador destacou que o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, vai ser muito importante para a virada econômica e geologística do estado. O parque de estocagem de petróleo deve gerar 2 mil empregos durante a obra e tem início de operação previsto para 2023. Além dele, a agricultura também vai ganhar um novo olhar por conta da nova política fiscal:

— A indústria é importantíssima para a nossa arrecadação e o Rio de Janeiro é um estado industrializado sim. Nós temos que parar de olhar o Rio de Janeiro como um patinho feio. Nossa agricultura piorou muito nos últimos anos, mas temos um potencial incrível de tomate, laranja e leite. Antes, tínhamos um milhão de litros de leite estocados em Barra Mansa por conta de uma política fiscal maluca, enquanto o leite do Uruguai chegava mais barato aqui — afirma Castro.

Sobre o transporte, também foi anunciado que o Arco Metropolitano, que é da União, será todo iluminado com leds pelo estado. Além disso, haverá mais pressão para que o Aeroporto Internacional Tom Jobim volte a ter mais voos internacionais. Para o governador, a decisão tomada pelo Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, de esvaziar o aeroporto internacional do Galeão e privilegiar o Aeroporto Santos Dumont com um modelo de concessão é prejudicial para o Rio:

— O caminho proposto atual está equivocado. Se está matando o Tom Jobim, onde se tem um operador que foi escolhido como o melhor do mundo várias vezes, além de estar todo reformado. O investimento tem que ser lá, pois é lá que vai ajudar no desenvolvimento econômico. Este é um diálogo que está tendo. Acho que estão pensando mais no bloco de aeroportos em si do que na nossa questão regional.

Paes acredita que, caso seja necessário, a prefeitura e o estado precisarão tomar medidas mais radicais para garantir a relevância do Tom Jobim:

— É um escândalo o que querem fazer com o Galeão, mas não passará. Se tivermos que tomar medidas mais radicais, nós iremos, porque é um equívoco profundo ao Rio e ao Brasil. A cidade internacional do Brasil é o Rio. Não dá para tirar um ativo importante como o Aeroporto Tom Jobim da cidade.

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