Não podemos jamais paralisar o governo, diz Temer após lista de Fachin

O presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto em Brasília. 11/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira que o governo não pode jamais ser paralisado, um dia após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin autorizar abertura de 76 inquéritos contra ministros, parlamentares e outras autoridades.

Sem fazer referência à decisão do STF, o presidente afirmou ainda, em discurso durante evento para sanção de leis voltadas para as mulheres no Palácio do Planalto, que é preciso tomar cuidado no Brasil para que não se ache que as instituições não funcionam.

"Nós não podemos jamais paralisar o governo. Nós temos que dar sequência ao governo, nós temos que dar sequência à atividade legislativa, nós temos que dar sequência a atividade judiciária", afirmou Temer.

"Eu quero muito ressaltar que o governo, o Executivo, só funciona porque tem o apoio do Congresso. Evidentemente, nas eventuais divergências ou interpretações equivocadas, quem vai dar a palavra final é o Judiciário. É isso que nós temos que privilegiar cada vez mais", acrescentou.

Os pedidos de abertura de inquéritos feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com base nas delações da empreiteira Odebrecht aceitos por Fachin incluem oito ministros do governo Temer, entre eles os influentes Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), muito próximos a Temer.

O Palácio do Planalto foi pego de surpresa com a divulgação da lista de Fachin, e Temer determinou a seus auxiliares que evitem levar a crise para o Planalto e que cada um faça a sua própria defesa, de acordo com uma fonte palaciana.

O presidente já havia pessoalmente informado à imprensa, há cerca de um mês, que só afastaria ministros envolvidos em casos de corrupção quando fossem formalmente denunciados, o que significa que a abertura de inquérito não levará, no primeiro momento, a demissões.

Existe a preocupação, no entanto, com eventuais turbulências para a aprovação no Congresso de medidas consideradas essenciais pelo governo, em especial a reforma da Previdência, devido ao grande número de políticos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato.

(Texto de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)