'Não poder investir nela me preocupa', diz mãe de menina de 8 anos superdotada da Baixada Fluminense

Nicolle de Paula Peixoto, de 8 anos, entrou para a Mensa, sociedade internacionalmente reconhecida que reúne pessoas de alto QI, e foi classificada como superdotada com pontuação 144. O que poderia ser apenas motivo de orgulho, também é uma preocupação para a mãe. A condição financeira da família limita o incentivo às habilidades da filha. "Eu chorava junto quando ela queria aprender coisas novas e não tinha", conta a mãe, Jessica Peixoto. A menina, que estudou em colégios do bairro no Jardim América, da Baixada Fluminense, usa recursos da internet para aprender além do ensino oferecido em sala de aula.

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— Descobrir que ela é superdotada ainda é um mundo novo e muito fechado para gente. Eu chorava junto com ela quando descobri que ela tinha alto QI, recorri e consegui avançar ela no colégio. Mas, mesmo assim, ela ainda acha tudo muito fácil na escola. Prefere aprender em casa porque ela busca por si própria o que ela tem facilidade de aprender — conta Jessica.

Nicolle sofreu diversos problemas que dificultaram o desenvolvimento dela no ensino regular. Apenas no ano passado os pais descobriram que a filha era superdotada. Atualmente, a menina estuda no Colégio Federal Pedro II, que tem um ensino mais avançado do que o colégio anterior, na Baixada Fluminense. Quando a mãe descobriu o alto QI da filha, a vaga na escola federal foi uma das alternativas encontrada pelos pais para estimular a filha.

— Essas habilidades de aprendizado são perdidas se não forem estimuladas. Eu e o pai dela não temos estrutura para ajudar ela. Isso me preocupa muito, não temos condição financeira e fico com medo dela ficar estagnada em relação a proporção do que ela poderia desenvolver, eu sei que ela pode aprender muito mais. Se a gente tivesse dinheiro podia pagar um curso de línguas ou um colégio de ponta de mais de três mil reais, por exemplo. Mas quem tem três mil reais hoje no Brasil é quase rico — lamentou a supervisora de vendas.

Com 4 anos, Nicolle sabia ler e fazer contas e aos 5 já estava alfabetizada. Os pais notavam o seu desenvolvimento em relação as outras crianças e a sua facilidade de aprender. A menina precisou fazer um teste, o WISC IV, que atestou pontuação 144, classificando-a como superdotada. Nas habilidades relatadas no laudo constam tipo acadêmico, criativo, social com capacidade de liderança, intelectual com fluência de pensamentos, capacidade de aprendizado linguístico, raciocínio lógico, facilidade de aprendizado, habilidade interpessoal (se refere a relação entre as pessoas e compreensão do mundo ao redor) e habilidade especial (a forma como a pessoa lida com os espaços, com o mundo de forma geral).

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— Chega a ser engraçado, ela é muito madura para idade dela, no outro dia chegou em casa e falou "mãe minha amiga na escola queria me pegar no colo, falei para ela que não dei anuência para isso". Eu fiquei parada e rindo. Questionei que palavra era aquela, ai ela contou que a professora traduziu para a coleguinha que ela não deu autorização. São umas coisas assim muito além da idade, ela aprende lendo dicionário e pesquisando na internet. Se a gente elogia, ela diz que se sentiu lisonjeada com o elogio — esclarece a mãe, informando ainda que o uso dela ao celular é monitorado pelos pais e é permitido apenas 1h30 por dia. Também dedica 40 minutos do dia para realizar os deveres de casa passados na escola.

O que Nicolle não entende, ela pesquisa, segundo Jessica, e pede ajuda a família para aprender matérias mais avançadas. Na terceira série ano do ensino fundamental, a menina pede ao pai, que é policial militar reformado, que a ajude a aprender expressão numérica e raiz quadrada, matérias do quinto ano.

Nas horas vagas, Nicolle aproveita para brincar com outras crianças da família e amigos, já que mora no quintal da avó paterna, que cedeu um pedaço do terreno para os pais construírem uma casa. O sonho da menina é se tornar médica, o que torna a brincadeira dela preferida ser de ter um consultório. Ela prefere, segundo a mãe, estar, na maioria das vezes, em posição de liderança nas brincadeiras.

A menina de 8 anos gosta de aprender atividades domésticas e receitas culinárias. Nicolle também faz Kumon, método que visa desenvolver o autodidatismo nos alunos de forma individualizada por intermédio das disciplinas de matemática e língua, e já foi premiada com medalhas por ser aluna adiantada na América do Sul.

A mais nova integrante do clube mundial de pessoas com alto QI está dentro dos 58 menores de idade que integram o quadro de brasileiros associados à Mensa Brasil, com um total de 2.014, segundo a instituição.

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Assim que foi classificada como superdotada, Nicolle começou atendimentos psicológicos necessários para o entendimento da criança do que significa ter um QI alto e para lidar com futuras frustrações ao decorrer do aprendizado.

No Brasil, o conceito de altas habilidades/superdotação passou, em 2013, a fazer parte da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que regulamenta a educação no país.

Um indivíduo pode ser considerado superdotado quando o quociente de inteligência é maior que 130. Pessoas com QI entre 120 e 129 são consideradas mais inteligentes que a média. E, por fim, a média geral para a população é de 100 a 110.

As crianças que têm altas habilidades mentais (superdotadas), apresentam características como raciocínio rápido, criatividade, foco, prazer em ler e estudar e, na grande maioria das vezes, notas excepcionais na escola se diferenciando dos demais alunos.

Atualmente, há 24.424 estudantes brasileiros com altas habilidades/superdotação, segundo o Censo Escolar. O número é considerado pequeno se for comparado à estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), em que 5% da população mundial tem algum tipo de alta habilidade.

*Estagiária sob supervisão de Daniel Biasetto.

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