'Não quero comentar ilação', diz Cláudio Castro sobre saída de promotoras no caso Marielle

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RIO — O governador Cláudio Castro comentou, nesta terça-feira, a saída das antigas promotoras do caso Marielle Franco das investigações da morte da vereadora, informação revelada pelo GLOBO no último sábado. Fontes do Ministério Público sustentam que Simone Sibílio e Leticia Emile entregaram os cargos devido ao risco de "interferências externas" comprometerem as investigações. Castro foi questionado sobre uma suposta ingerência do Secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, na força-tarefa.

— Vou repetir o que falo sempre: não me meto em investigação nenhuma. É um perfil meu. Cobro só que elas sejam solucionadas. Se as promotoras tinham alguma coisa com o doutor Alan, temos a Corregedoria da Polícia Civil e o PGJ, o doutor Luciano Mattos, que poderia vir falar comigo. Como nenhuma dessas duas ações foram feitas, eu sequer tenho condições de comentar algo que foi dito à imprensa. Acho que elas deveriam ter ido instâncias formalmente, ou na Corregedoria ou em outro lugar, fazer essa denúncia. Se não fizeram, não me cabe comentar. Isso para mim é ilação, e eu não comento ilação — disse o governador, durante a entrevista coletiva para o anúncio da antecipação da segunda dose da vacina da AstraZeneca.

Castro também foi questionado sobre a demora para receber a família de Marielle, um pedido que, segundo a "CNN", vem sendo feito pelo Anistia Internacional há mais de cem dias.

— Sobre a questão da Anistia, (a gente) já tá agendando, vamos recebê-los em questão de dias. Quero ressaltar que fui vereador com Marielle e conheço a família dela de muito (tempo), conheço a mãe, conheço o pai... Conheço desde quando fomos vereadores juntos — afirmou.

Nesta segunda-feira, o "RJ2", da TV Globo, mostrou que o pedido de afastamento feito pelas procuradoras Simone Sibílio e Leticia Emile teve como pano de fundo a descoberta de que o delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, preso no fim de junho sob a acusação de comandar uma quadrilha que cobrava propina de comerciantes em Petrópolis, teve acesso a informações sigilosas das investigações sobre as mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, ocorrida em março de 2018.

De acordo com a reportagem, dados que fazem parte do processo estavam no e-mail de um ex-policial civil que teve o sigilo telemático quebrado com autorização da Justiça. Ainda segundo a TV Globo, o ex-policial seria ligado à contravenção e também foi investigado pelas execuções de Marielle e Anderson. Demétrio argumentava que o ex-policial era um desafeto dele, que o estaria monitorando e colocando sua vida em risco. Segundo o delegado, tal cenário o colocaria em risco, como vítima de uma suposta organização criminosa. Para as promotoras, contudo, a estratégia serviu para que ele desse uma demonstração de força e poder contra antigos rivais, ainda conforme noticiou o "RJTV".

Demétrio teria, então, protocolado petições no no Ministério Público Eleitoral e também no Ministério Público Federal. Com isso, como mostrou a reportagem, informações secretas do caso Marielle e Anderson acabaram expostas, sem autorização judicial. Por conta disso, Demétrio foi denunciado por crime de violação de sigilo.

Em seguida, segundo a TV Globo, o delegado procurou a Delegacia de Homicídios da Capital (DH), que investiga as mortes, para tentar formalizar o acesso aos dados sigilosos. Então responsável pela DH, o delegado Moysés Santana disse, em depoimento, ter recebido Demétrio a pedido do secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, com a orientação de que o ajudasse no que fosse possível. Moysés, entretanto, nega ter fornecido qualquer conteúdo sigiloso ao colega de função. Moysés Santana acabou retirado da DH por Turnowski.

Nesta terça-feira, durante a entrevista coletiva, Castro não deu previsão para o encerramento das investigações — nem sobre a possível solução do caso:

— Não tive acesso a processo nenhum. Não tenho como dizer se a resposta vai ser dada, se a questão vai ser respondida como a família quer, como a imprensa quer, como o partido quer. Pelo simples fato de que não faço parte do processo, não sou polo do processo, ele corre em segredo de Justiça, e seria um crime se eu falasse isso. Estaria enganando, dando uma bravata, outra coisa que não é do meu perfil — disse. — Esse é um caso sensível, a gente entende. Mas não tenho como dizer se vai ser ou como não vai ser, por respeito ao certo, e o certo é que o governador não saiba do processo.

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