'Não quero que minha mulher e meus filhos sofram o que sofri', diz Rafael Cardoso, após cirurgia cardíaca

·3 minuto de leitura

“Estão sendo os melhores dias da minha vida”, diz Rafael Cardoso ao telefone. É assim, com esta tranquilidade, que o ator de 35 anos define seu pós-operatório, apenas dez dias depois de ter se submetido a uma cirúrgica cardíaca em um hospital particular do Rio para a implantação de um CDI (Cardioversor-Desfibrilador Implantável).

Rafael tem uma doença chamada miocardiopatia hipertrófica, que deixa seus músculos cardíacos anormalmente espessos. Ele corria risco de morte súbita e chegou ao diagnóstico somente depois de muita insistência da sogra, a jornalista Sonia Bridi, mãe de Mariana, mulher do ator.

– Assim que me curei da Covid, em outubro do ano passado, a Sonia basicamente me pegou pelo braço e me levou ao Laboratório de Performance Humana, no Humaitá, onde fiz exames e testes de resistência aeróbica – conta Rafael, que demorou quatro meses para buscar os resultados. – Nós somos muito prepotentes, arrogantes, né?

A ficha do ator só caiu, de fato, quando ele recebeu a notícia de que havia hipertrofia de 20 mm do músculo cardíaco e 14% de fibrose do órgão, sendo que 10% é a normalidade e 20% configuram um caso grave. Rafael, então, foi aconselhado pelo cardiologista Eduardo Saad a implantar o CDI.

O artefato que hoje o ator carrega no peito é um tipo de marca-passo que, caso ocorra uma arritmia com risco de morte súbita, dá um choque direto no coração revertendo o que seria uma parada cardíaca.

– Tenho um aparelhinho na minha cabeceira que toda madrugada, às 2h, me passa um verdadeiro relatório da minha atividade cardíaca – conta Rafael.

Aliviado, o ator conta que esta nova fase de sua vida é uma espécie de acerto de contas com o passado. Nos tempos em que ainda era jogador de futebol em Porto Alegre, com passagens pelo Grêmio e Internacional, Rafael descobriu que tinha um sopro no coração. Mas sempre conviveu com a informação de forma silenciosa, adepto a uma rotina intensa de exercícios físicos, mesmo depois de deixar os gramados e se tornar um ator profissional.

O histórico de sua família, no entanto, já o alertava. Ao longo dos anos, ele já perdeu cinco parentes acometidos por mortes súbitas vinculadas a problemas cardíacos. Sua tia Janete, por exemplo, morreu aos 19 anos, dentro de um ônibus. Rafael também já viu a partida de dois tios, seu avô e um primo de 5 anos.

– Eu cresci num ambiente em que tínhamos que nos consolar constantemente, primo cuidando da dor do tio, pai com o filho sem vida nos braços. Com esse susto que tomei, entendi que posso cortar essa corrente e fazer com que minha mulher e meus filhos (Aurora, de 6 anos, e Valentim, de 3) não sofram – diz Rafael, que perdeu a mãe aos 11 anos, vítima de um câncer.

As novas resoluções do ator, aliás, não se resumem a sua vida pessoal. Ele quer se tornar um aliado da medicina preventiva para alertar as pessoas a se cuidarem e realizarem exames periódicos. Um dos planos é se tornar um embaixador da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), entidade médica sem fins lucrativos afiliada à Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Já entre as iniciativas cotidianas de Rafael está a promoção de lives em suas redes sociais, como a realizada na terça-feira com o cardiologista Eduardo Saad, responsável pela implantação de seu CDI.

– O medo da morte aprimorou meu senso de responsabilidade social, que já era grande – analisa o ator que, durante a pandemia, destinou para doação boa parte da colheita da Fazenda Casulo, sua propriedade especializada na plantação de orgânicos.

Curiosamente, enquanto se recupera da cirurgia em casa, Rafael não deixa de estar “trabalhando” bastante. Atualmente, há quatro novelas sendo exibidas pela Globo com o ator no elenco: “Império”, “Salve-se quem puder”, “A vida da gente” e “Ti ti ti”.

Normalmente ligado nos 220 volts, ele promete repensar seu ritmo cotidiano, seja no set de gravações, na horta ou durante treinos aeróbicos.

– Em um mês a musculatura cardíaca vai estar recuperada, mas vou voltar devagarinho. Prefiro esperar dois meses e retomar com uma caminhada de leve. Estou encarando este momento como uma chance de buscar mais equilíbrio – diz Rafael.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos