Não sou culpado disso que me acusam, diz Jairinho sobre morte de Henry Borel

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-vereador carioca Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, disse nesta segunda-feira (13) que não teve culpa pela morte de seu então enteado, Henry Borel, 4. O político é acusado pelo homicídio da criança.

A declaração foi feita durante seu depoimento na 2ª Vara Criminal da capital fluminense, responsável pelo caso. O garoto morreu na madrugada do dia 8 de março do ano passado.

"Eu não sou culpado disso que estão me acusando. Isso não é verdade, isso não aconteceu, por Deus. Meu relacionamento com ele sempre foi de carinho", disse o acusado, com a voz embargada durante uma fala de abertura concedida pela juíza Elizabeth Machado Louro.

Em sua fala, Jairinho lembrou de situações da própria infância e fez um histórico da dinâmica dos pais e dos pais de Monique Medeiros, sua ex-mulher e mãe de Henry —ela é acusada de homicídio, f alsidade ideológica e coação de testemunha

"A dor é muita doutora. Dói muito. O legista tem os laudos incongruentes. Alguém que agride alguém vai ser abraçado? Eu abria a porta do apartamento e ele saia correndo e falando ‘tio Jairinho, tio Jairinho. Isso é comportamento de gente que é agredida?", falou o ex-vereador.

Na denúncia, o Ministério Público afirma que Jairinho cometeu o crime por sadismo. Pela argumentação da Promotoria, ele tinha prazer em machucar o menino, enquanto Monique, tirava vantagens financeiras da situação. Ambos presos desde abril do ano passado acusados de homicídio triplamente qualificado.

Jairinho disse que não seria capaz de fazer mal a uma criança. "Quem seria capaz de fazer mal a uma criança? Esse não é meu perfil, essa roupa não me cabe. Henry não teve 23 lesões e a imprensa continua noticiando isso. Tá mais do que provado que não houve [agressões]".

Ele também disse ter vivido um namoro intenso e feliz com Monique até janeiro de 2019 e apontou que durante esse tempo chamou a atenção dele o comportamento carinhoso da companheira.

"O que eu pude observar era que a família era unida e muito feliz. Quem ensinou Henry a ouvir músicas católicas era a Monique; quem ensinava o Henry a orar era a Monique; quem segurava ele no colo como bebê era Monique. Quando falo disso, falo do anjo Henry", contou.

Jairinho também chorou ao falar da mãe que, segundo ele, não sai de casa desde que ele foi preso. Disse que ela questionava o namoro com Monique, e fez um alerta quando foram morar juntos.

O ex-vereador defendeu que sua vida pessoal e particular sempre foi marcada por muito diálogo. Afirmou que nunca encostou em crianças e também disse nunca ter pisado em uma delegacia antes do início das acusações.

O laudo da reprodução da morte do menino afirmou que Henry sofreu 23 lesões produzidas por ação violenta entre às 23h30 e às 3h30 daquela noite.

Entre as ações estão escoriações e hematomas em várias partes do corpo, infiltrações hemorrágicas em três regiões da cabeça, laceração no fígado e contusões no rim e no pulmão.

Monique Medeiros disse durante audiência de instrução, em fevereiro, que foi intimidada e ameaçada de morte dentro do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, onde está detida.

Ela disse também que Jairinho a submetia a uma rotina de abusos e violências físicas e verbais, que teriam começado em novembro de 2020.

Monique diz ainda que teria sido obrigada por ele a bloquear homens nas redes sociais, a demitir o personal trainer e a apagar fotos de sua conta no Instagram.

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