'Não superamos os desentendimentos, mas restauramos o diálogo', diz Ciro sobre conversa com Lula

Sérgio Roxo
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Ricardo Stuckert/Instituto Lula

SÃO PAULO. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta segunda-feira que não superou os desentendimentos com o ex-presidente Lula (PT), com quem se encontrou em setembro conforme revelou o GLOBO. Disse, porém, que a conversa serviu para a retomada do diálogo.

— Nós conversamos depois de quase dois de desentendimentos profundos. Não superamos os desentendimentos, mas restauramos o diálogo. Ele me convidou para conversar e acho que política a gente faz conversando, dialogando, mesmo que eu tenho entrado com as mesmas ideias e saído com as mesmas convicções e ele, certamente, entrou com as mesmas convições que saiu — afirmou Ciro, em entrevista à Rádio Jornal Pernambuco.

O pedeista ainda afirmou que a conversa serviu oara tratar "as diferenças de forma franca, aberta, sincera, pensando na questão do Brasil". Ciro atacou o PT e principalmente a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Para Ciro, Lula "impôs a Dilma para continuar mandando" e assim acabou criando as conddições para que Jair Bolsonaro fosse eleito em 2018.

— A Dilma, sem nenhuma experiência, se agarra na economia mais atrasada e a corrupção generalizada, que infleizmente não dá para ser escondida, (o ex-ministro Antonio) Palocci era braço direito do Lula. Isso criou as condições no Brasil para o povo por desespero, por raiva, por frustração, que eu compreendo com a minha alma, votar neste absurdo que está se revelando ser o Bolsonaro.

Indagado sobre a opinião do marqueteiro João Santana, revelada em em entrevista ao programa Roda Viva, de que uma chapa com Ciro e Lula de vice seria imbatível, o pedetista descartou essa possibilidade:

— Isso não existe, o Lula é grande demais. O Lula deveria, se ele tivesse um pouco de grandeza, até em respeito a si próprio, guardar o lugar justo que ele tem na história. Um presidente que fez muita coisa pelo povo naquele momento, mas que errou profudamente na política, a ponto de ser ele a maior vítima.

Ciro lembrou a prisão de Lula.

— Não tenho nenhum prazer em lembrar: o Lula foi bater na cadeia, com duas condenações, já vêm mais seis processos. E preciptou o país com a Dilma. Ele sabe. A Dilma não é uma pessoa desenorada, é uma pessoa séria, nós aqui no Ceará demos dois terços do votos contra o impeachment, portanto não me meto nessa história de que a Dilma é uma corrupta, mas a Dilma desastrou o Brasil. Quando ela assumiu o desemprego era 4% quando saiu estava em 14%.

O ex-ministro também falou sobre o seu apoio a Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno da eleição de São Paulo e a sua aparição no horário eleitoral do candidato ao de Lula, do governador Flávio Dino (PCdoB) e de Marina Silva (Rede). Na avaliação de Ciro, a união foi provocada não por Boulos, mas pela vontade de derrotar o governador João Doria (PSDB), padrinho político do prefeito Bruno Covas.

— Saiu que Boulos uniu toda esquera e a centro-esquerda do Brasil. Isso não é verdade. Quem conseguiu unir todos foi o Doria. O Doria é um governador tão desastrado, tão reacionário, anti-povo, anti-nacional, que há a necessidade mudar São Paulo, a bem do Brasil

Ciro ainda avaliou que a eleição municipal foi marcada pela derrota do PT e do bolsonarismo.

— Foi uma vitória importante desse campo que nega os extremos. O luopetismo corrompido e o bolsonarismo boçal foram varridos da vida brasileira nas grandes cidades.