Não tem como evitar a viagem de avião? Saiba como se proteger nos aeroportos

Carolina Mazzi

RIO - A recomendação do governo e de especialistas é evitar contato social e viagens a qualquer custo. Mas, caso ela seja inevitável, há medidas que podem ser tomadas para diminuir as chances de contágio pelo Novo coronavírus. Segundo o infectologista Fernando Chapermann, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), os cuidados de higienização são os mesmos, mas precisam ser ainda mais reforçados em ambientes como aeroportos e aviões:

- Os aeroportos são ambientes confinados, o que dificulta a renovação do ar e aumenta as chances de contágio. Ainda bem, o número de pessoas viajando está bem baixo, o que ajuda quem realmente precisa pegar o avião. É sempre bom lembrar: lavar as mãos com água e sabão frequentemente é a melhor forma de evitar o contágio. Mas vale reforçar: só viaje se for estritamente necessário. O ideal é que todos fiquem o máximo de tempo em casa.

Separamos algumas das principais dúvidas sobre os cuidados para se ter em aeroportos para quem precisa embarcar.

Check-in e embarque

Evite as filas. O ideal é que todo o processo seja feito sem contato com outras pessoas. Ou seja, prefira usar a máquina de autoatendimento para realizar o check-in, mas não se esqueça de lavar as mãos antes e após o uso, já que as superfícies também são forma de transmissão.

- Deve-se evitar qualquer aglomeração. Então, a recomendação geral, em todas as etapas do processo, é evitar as filas de check-in, embarque, para o raio-x, na esteira para buscar a mala. Sempre se manter pelo menos 1,5 metro de distância de outras pessoas e pedir que se afastem, se for necessário. E lavar as mãoes sempre que passar por cada etapa do processo, pois é provável que a pessoa tenha tocado em alguns lugares. E claro, mesmo com saudade, evitar abraços na chegada ou na partida - comenta o especialista.

Usar máscaras pode ajudar?

Depende, diz o médico. Se o viajante não apresentar sintomas, a máscara não tem qualquer efeito. Mas se o viajante apresentar sinais como tosse ou espirro, precisa usar a máscara para evitar contaminar outras pessoas. Já os funcionários do aeroporto, que têm contato com muitas pessoas e objetos, podem usar máscaras e luvas.

- A imensa maioria das pessoas contaminadas vai ter sintomas tão leves que podem passar despercebidos. Mas ainda sim são transmissores. Então, qualquer sinal, de um espirro, uma febre baixa, um tosse, vale usar a máscara para não transmitir a doença.

Passar por triagem é importante?

Não. Vídeos circulam nas redes sociais com pessoas tendo a temperatura do corpo medida ao chegar em aeroportos pelo mundo mas, segundo Chapermann, a medida não tem mostrado eficácia na luta contra a disseminação do vírus.

- Não adianta nada, pois a maioria, como falei, não tem sintoma. A melhor forma de prevenção continua sendo o lavar de mãos, com água e sabão. Não tem mistério. Chegou ao aeroporto, lava. Passou pelo check-in, lava. Entrou na área do raio-x, lava. Quanto mais, melhor. Se não der, na hora, usa o álcool gel, como reforço.

Álcool no assento é recomendável?

Não. Também é comum ver pessoas higienizando a poltrona do avião ou o assento do aeroporto com álcool gel. A medida não tem qualquer eficácia comprovada, afirma o médico.

- Cada tipo de superfície deve ser higienizada de um forma diferente, e aí cabe às empresas fazer esse controle, pois só eles têm acesso à informações do material e do fornecedor. Então, não adianta, álcool não vai matar o vírus. De novo, a gente repete: entrou no avião, lave as mãos. Levantou? Lave as mãos. Desarmbarcou? Lave as mãos.

Com voos vazios, o ideal é que as empresas coloquem os passageiros em assentos afastados, evitando o contato muito próximo entre as pessoas.

O que os aeroportos têm feito?

Segundo a Infraero, os aeroportos no país tem orientação para reforçar as medidas de proteção, o que inclui o aumento na higienização dos espaços e a disponibilidade de álcool gel para passageiros e funcionários, além da otimização de espaços em comuns para dificultar a formação de aglomerações.

"Nos sistemas de informação de voo e avisos sonoros em todos os terminais da Rede, são repassados constantemente os materiais encaminhados pelo Ministério da Saúde e Anvisa sobre cuidados relativos à higienização de mãos, distanciamento entre pessoas, e demais orientações de prevenção ao Covid-19. Com relação às orientações de higienização a Infraero informa que tem monitorado a disponibilidade de álcool em gel, sabonete líquido e papel toalha em todos os seus terminais", informa, em nota.

A GRU, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, afirma, em nota, que "segue todas as recomendações da Anvisa e coopera com os órgãos federais e companhias aéreas, além de manter alertas sonoros, em três idiomas, e vídeo informativo em seus canais de comunicação para todos os passageiros e colaboradores. A concessionária ressalta aumentou a frequência de limpeza nas áreas comuns do aeroporto, com reforço no abastecimento de papel higiênico e papel toalha, sabonete, álcool gel e a disponibilização de lixeiras dedicadas ao descarte de materiais infectantes, como máscara e luvas".

O RioGaleão afirmou que vem realizando "rondas periódicas, 24 horas por dia, para garantir a disponibilidade dos principais itens de higiene – álcool em gel e sabonete nos banheiros –, a fim de garantir que todos os passageiros e pessoas possam realizar com frequência as medidas de prevenção à propagação do coronavírus. O RIOgaleão também ampliou a frequência dos procedimentos de limpeza nos banheiros e áreas de uso comum, além de emitir avisos sonoros da Anvisa sobre cuidados a serem adotados. Vídeos da campanha sobre os sintomas e métodos de prevenção também estão sendo exibidos nas áreas comuns".