'Não vamos passar pano para o PT, mas diálogo com Alckmin será mais fácil', diz Leite sobre governo Lula

Eleito para um segundo mandato de governador no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) disse, em discurso no Congresso do Movimento Brasil Livre (MBL) neste sábado (5), que não irá "passar pano" para o governo Lula. Em entrevista ao GLOBO, ele avaliou, no entanto, que o diálogo com o vice-presidente eleito, o ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB), será mais fácil. Aferiu ainda que há "melhor disposição no diálogo com governadores" por parte do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do que Jair Bolsonaro (PL). O atual presidente, segundo Leite, "jogou os problemas nas costas dos governadores".

— (A relação do governador com o governo federal) acima de tudo é uma postura de independência, não de adesão, nem de fazer oposição para atrapalhar. É uma relação republicana, mas nós também não vamos passar pano se (o governo federal) estiver levando o país para o caminho errado, algo que vá afetar o interesse dos estados. É o caso de mobilizarmos nossas bancadas no Congresso — disse Eduardo Leite durante um bate-papo no 7º Congresso Nacional do MBL.

O gaúcho participou pelo segundo ano seguido do congresso do grupo de direita, organizado em São Paulo. Ele compareceu a um bate-papo com o deputado federal reeleito Kim Kataguiri (União), fundador e um dos principais nomes do MBL, para um público de cerca de 1.000 pessoas.

Leite lembrou da relação que teve com Alckmin no PSDB. O ex-governador de São Paulo deixou o partido no final do ano passado, mas antes apoiou o gaúcho como candidato a presidente nas prévias tucanas — Leite, no entanto, não foi o escolhido pela sigla, perdendo para o ex-governador de São Paulo João Doria.

— Tenho uma boa expectativa nessa direção (de que o diálogo com Alckmin será mais fácil), pois temos uma relação vinda do PSDB. E há uma melhor disposição do presidente eleito no diálogo com os governadores. Ele verbalizou isso e seu histórico vem nessa direção. Ao contrário do que a gente observou ao longo dos últimos anos, uma tentativa do (atual) presidente de jogar os problemas nas costas dos governadores, uma crise constante na relação — disse Leite.

Durante o discurso no Congresso do MBL, Leite defendeu a austeridade fiscal e a privatização de empresas estatais. E também não negou o interesse em ser candidato a presidente em 2026, mas disse que ainda podem surgir outros nomes centristas mais fortes até lá.

Danilo Gentili para presidente

Outro presente no evento foi o apresentador Danilo Gentili, nome que o MBL deseja viabilizar como candidato a presidente em 2026. Blusas com "Gentili 2026" foram vendidas na loja do movimento instalada no evento, buscando aumentar aderência ao que o grupo já vem defendendo nas newsletters do movimento. Mais cedo, Kataguiri chegou inclusive a dizer que não se candidatará novamente como deputado se o grupo não tiver um quadro próprio para o Palácio do Planalto na próxima eleição.

Mamãe falei

Apesar de cassado pela Assembleia Estadual de São Paulo, o ex-deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei, integrante histórico do MBL, teve destaque no evento. Ele participou de três atrações do Congresso. Muita gente fez fila para tirar foto com o ex-parlamentar.

Do Val perdeu o mandato em maio deste ano após vazamento de áudios dele com falas sexistas sobre refugiadas ucranianas depois da invasão do país pela Rússia. Ele declarou, em meio à guerra, que as mulheres da Ucrânia são bonitas e "fáceis porque são pobres".

Público masculino, branco e jovem

Com ingressos de R$ 200 a R$ 250, as 1.700 entradas para o evento do MBL esgotaram. O público, majoritariamente masculino, branco e jovem, tinha pessoas de diversas cidades, como Goiânia (GO) e Curitiba (PR). Diferentemente do ano passado, não houve transmissão online simultânea, por contenção de custos.

Dos sete candidatos que lançou neste ano, o MBL elegeu dois: Kataguiri e o deputado estadual Guto Zacarias (União-SP). O grupo apoiou o ex-ministro Sergio Moro (União) como candidato a presidente nas eleições deste ano, mas a candidatura não vingou. No segundo turno, defendeu o voto nulo.

O MBL surgiu em 2014 como oposição ao governo petista e em defesa do Estado mínimo e da redução de impostos — pautas que estiveram presentes durante o evento deste sábado. O movimento encorpou durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2018, se aproximou do bolsonarismo, mas depois se distanciou do governo.