'Não vou parar tão cedo', diz Hamilton antes de GP do Brasil

SÃO PAULO - Duas semanas depois de ser hexacampeão da Fórmula 1, o piloto britânico Lewis Hamilton, da Mercedes, afirmou nesta quarta-feira que não pretende abandonar as pistas tão cedo. Com o título conquistado no Grande Prêmio do México, Hamilton ficou a um campeonato de distância do alemão Michael Schumacher, maior campeão da história da modalidade.

Hamilton participou nesta quarta-feira de um evento organizado por uma de suas patrocinadoras em São Paulo, que receberá no domingo o Grande Prêmio do Brasil. Questionado sobre o que ainda o motivava após os seis títulos conquistados, o inglês afirmou que, apesar de confirmar o título na última corrida, já está focado na próxima temporada.

— Sempre fui motivado. Eu já estou com seis títulos, mas não vou parar tão cedo. O título da semana passada já passou — afirmou.

Apesar de ter afastado qualquer rumor de aposentadoria, Hamilton se demonstrou preocupado com uma série de questões de fora das pistas. Durante a entrevista, o piloto falou sobre ser o único piloto negro no grid, sustentabilidade e também sobre a possibilidade do Grande Prêmio do Brasil, atualmente disputado no circuito de Interlagos, ir para o Rio de Janeiro. A tese é defendida pelo governador do Rio, Wilson Witzel, e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Oficialmente, a Liberty Media, organizadora da Fórmula 1, afirma que está negociando com as duas cidades. Se depender de Hamilton, no entanto, a corrida deve permanecer em São Paulo. O piloto se classificou como "das antigas" e disse que não gostaria de ver a modalidade deixar o autódromo de Interlagos, um dos mais tradicionais da temporada.

— Eu não acho que a mudança é algo negativo. Mas eu adoro a pista de Interlagos. Mas temos que de manter os clássicos e essa é uma corrida clássica. Significa muito ter esse GP para São Paulo. Não sou um grande fã de mudança. O Rio é uma cidade fantástica, mas não sei o tipo de autódromo que eles têm lá. Se mudarem, não terá a mesma história. É um privilégio dirigir em Interlagos - disse Hamilton, que citou seu principal ídolo, o brasileiro Ayrton Senna, como um dos símbolos do circuito.

Hamilton destacou que, apesar de ter vencido o título de 2008 em Interlagos sobre o brasileiro Felipe Massa, então na Ferrari, os torcedores brasileiros são particularmente carinhosos com ele e uma da principal fatia da torcida que tem no mundo. Questionado sobre o reconhecimento que tem em seu país-natal, a Inglaterra, Hamilton chegou a abordar a questão do racismo como uma das explicações para o fato de não ser um ídolo ainda maior em seu país apesar de estar tão próximo de se tornar o piloto mais campeão da história.

Segundo Hamilton, é importante que a modalidade se preocupe com o acesso de outros pilotos negros. De acordo com ele, os custos para o ingresso no automobilismo cresceram bastante desde que começou a andar de kart, há mais de 20 anos.

— Eu só vejo o lado positivo. Eu tenho um grupo fantástico de ingleses que torcem por mim. Mas não é isso que me impulsiona. Não faço muita questão. Talvez as coisas poderiam ser diferentes se eu fosse branco. Por outro lado, quanto mais eu conquisto, maior vai ser o reconhecimento. No fim das contas vai ser inegável o reconhecimento — disse.