'Não vou sossegar até colocar quem matou meu filho atrás das grades', disse pai de MC assassinado no Rio

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O homem responsável pelos disparos que mataram o cantor de funk Jonathan Gomes de Araújo, o MC Jotinha, de 17 anos, que foi atingido por três tiros após separar uma briga, na madrugada de terça-feira, no Bairro do Pilar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, era foragido da Justiça. Segundo Jones Gomes de Araújo, de 38, pai do MC, o assassino já responderia pela execução de um vereador em um estado da Região Nordeste. Jones presenciou a morte do filho e reconheceu informalmente o suspeito por uma foto de um cartaz, divulgado na Internet, na época do assassinato do parlamentar.

A informação vai ser investigada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) , que por enquanto, não divulgou o nome do suspeito. Ele fugiu do local do crime após a morte do MC. Jones também já foi ouvido pela especializada.

O que se sabe até agora é que o assassino e a vítima se conheciam.

—Com a pandemia os shows deram uma parada. Eu e meu filho voltamos para o Rio e fomos tomar conta de um sitio. O rapaz que atirou no Jonathan também trabalhava tomando conta de um sítio na região. Ele passava pela gente e dava bom dia, mas não tinha muita intimidade . Me contaram que ele já era procurado pela morte de um vereador . Fui conferir na internet e vi que a foto era dele (assassino)) mesmo. Quero Justiça. Vou lutar até o último dia da minha vida pelo meu filho. Eu não vou sossegar enquanto não colocar quem matou me filho atrás das grades. Eu e minha família estamos sofrendo muito —- disse Jones Araújo.

O pai do cantor contou ter tido um aperto no coração, no fim da noite de segunda-feira, e que por isso, resolveu buscar o filho. Jotinha havia usado um cavalo para ir em um bar, onde ocorria um forró. Já era madrugada de terça-feira, quando Jones foi recebido, no local, com um abraço pelo filho.

Pouco depois, houve uma briga entre conhecidos do MC e o cantor apartou o conflito. Quando já estava indo pegar o cavalo para ir embora, Jonathan foi atingido pelo primeiro disparo de revólver. Com a vítima caída no chão, o assassino ainda se aproximou e atirou mais duas vezes na cabeça do cantor.

— Me bateu um aperto o coração. Então, resolvi ir lá buscar o Jotinha. Quando ele me olhou, veio correndo. Me abraçou e falou que me amava e que queria viver comigo até o último dia da vida. De repente, dois conhecidos dele começaram a discutir. Meu filho os abraçou e tirou um para direita e outra para esquerda. Este último não aceitou e deu um empurrão no braço do Jonathan, que também empurrou o peito dele e disse que não queria confusão. Meu filho resolveu que era melhor ir embora e me chamou para ir com ele. Estava me despedindo de uns conhecidos e escutei o primeiro disparo. Quando olhei, já vi meu filho caído no chão ( do lado de fora do bar) perto do cavalo . Gritei que estavam matando o Jonathan e pedi ajuda. Corri para fora do forró e nisso o atirador fez outro disparo na cabeça do Jotinha. Ainda se abaixou e deu um terceiro tiro, bem de perto, também na cabeça do meu filho. Tive reação de ir para cima do assassino e aí ele apontou a arma para mim. Só não morri também porque outras pessoas entraram no meio — disse Jones Araújo.

O corpo do cantor foi sepultado, nesta quarta-feira, no Cemitério do Pilar, em Duque de Caxias. Nesta sexta-feira, parentes do MC usavam camisas com a foto de Jotinha para homenagear a vítima. Descrito por parentes como um rapaz tranquilo e de bom coração, Jonathan estava com uma viagem marcada para São Paulo, na próxima segunda-feira.

Segundo Jones Araújo, seu filho iria ter um encontro com representantes da produtora Master Gold, de quem era contratado, para iniciar uma turnê de shows que teria início em Brasília e que se estenderia ainda por cidades vizinhas. Em nota, a produtora Master Gold lamentou a morte do artista e disse estar de luto junto com a família do MC Jotinha.

Com mais de 4,8 mil seguidores no instagram, Jotinha começou a carreira aos 4 anos. Ao subir no palco em companhia do pai, que era DJ, o menino foi descoberto e acabou gravando o sucesso " Poxa vida Hein, uol", em parceria com MC Roba Cena. Ele também chegou a ter carreira interrompida por determinação do Juizado de Infância e Adolescência, mas aos 10 anos, sua família conseguiu autorização da justiça para que os shows continuassem.

Em sua última postagem, o artista promoveu a música "Kika uma vez, kika de novo". Segundo sua família, com o início da pandemia , o MC voltou teve os shows interrompidos e passou a trabalhar como caseiro em um sítio. De acordo com Jones Araújo o sonho do filho era o de comprar uma casa para os pais e de poder dar uma vida melhor para os avós, na Baixada Fluminense.
—Meu Filho era uma pessoa boa que adorava brincar com todo mundo. Ele tinha planos de ajudar a mãe e de comprar uma casa para ela. Também queria muito ajudar os avós —concluiu Jones Araújo.

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