'Quem tem raciocínio lógico tem dificuldade em entender Bolsonaro', diz Stuhlberger

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 12.08.2021 - O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 12.08.2021 - O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Verde Asset Management, Luis Stuhlberger, que administra R$ 55 bilhões em ativos, não acredita que o Brasil esteja prestes a ver o dólar chegar a R$ 6 (hoje em R$ 5,25) ou a taxa Selic a 10% (atualmente em 5,25%).

"Não há razões econômicas para isso", disse ele nesta quinta-feira (26), durante participação no evento virtual Expert 2021, promovido pela XP Investimentos.

"Isso só acontecerá se houver uma escalada de tensão política muito forte", disse Stuhlberger, que participou do evento ao lado do gestor da estratégia multimercado e previdência da Verde AM, Luiz Parreiras.

“Toda pessoa que é engenheiro, como nós dois [disse, referindo-se a Parreiras], ou pessoas do mercado financeiro, que se pautam por raciocínios lógicos, têm muita dificuldade de entender a estratégia do presidente Bolsonaro de escalar a tensão com o Judiciário”, afirmou. “Não adianta muito pregar para convertido”, disse, referindo-se à parcela da população que apoia o presidente da República.

Segundo Stuhlberger, as primeiras pesquisas espontâneas de intenção de voto apontavam 24% para Jair Bolsonaro e 24% para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 52% de indecisos. "Agora temos 24% de Bolsonaro, 29% de Lula e 36% de indecisos. Uma parte de quem estava indeciso foi para o voto em branco ou nulo", disse.

"Ou seja, esta tensão criada pelo presidente afasta dele o eleitor antilula, que votou em Bolsonaro por apoiar a agenda econômica e contra tudo o que o PT fez no Brasil, especialmente no governo Dilma Rousseff", afirmou.

O gestor disse que não sabe o quanto esta situação de confronto entre Judiciário e Executivo "vai piorar antes de melhorar", mas avalia que será muito difícil a aprovação da Reforma Tributária.

"Fazer a reforma com um presidente fraco e refém do centrão vai virar um negócio perigosíssimo no Congresso, com lobbies de todos os setores. Ninguém quer que o seu setor seja prejudicado, mas é impossível fazer uma reforma para pegar o que todo mundo tem hoje e ser daí para melhor".

Para o gestor do fundo Verde, "essa noção de justiça e patriotismo" defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, é "verdadeira". "Mas a gente acha que este momento não é o ideal", afirma o gestor, que tem dúvidas sobre a eficácia da tributação dos dividendos, uma das propostas da reforma que gerou mais polêmica no meio empresarial e financeiro.

"Não tenho muita noção se isso [imposto sobre dividendos] vai ajudar muito o Brasil. O que ajudaria muito o Brasil seria a simplificação tributária, proposta em parte da PEC [proposta de emenda à Constituição] 45, sem onerar o setor de serviços", disse. "Eu acho que essa reforma seria uma reforma com menos complexidade. O que tem de contencioso em PIS e Cofins no Brasil é coisa de trilhão de real".

Questionado sobre a gestão do ministro da Economia, Luiz Parreiras afirmou que o ministro "é bom na teoria e no slogan e ruim na execução".

"O discurso liberal é muito bom, no que se refere às privatizações, mas a execução e a negociação política, a gestão do processo de reformas, têm deixado muito a desejar".

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