Núcleo de educação pede a Haddad formação de professores e revisão da política de alfabetização como prioridades

Educadores que participaram da reunião com a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediram foco no fortalecimento da formação inicial de professores, a revisão da política de alfabetização e a necessidade de recomposição orçamentária do Ministério da Educação (MEC). Os especialistas defenderam ainda implementação integral do Plano Nacional de Educação (PNE), que virou lei em 2014 e nunca saiu totalmente do papel.

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Mais de 50 pessoas participam nesta terça-feira de uma reunião com o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, em São Paulo.

– O Plano Nacional de Educação é tratado pelo grupo como a única agenda oficial do Estado brasileiro que organiza e orienta a política de educação. O PNE foi abandonado por Bolsonaro, e também por Temer. Vamos estruturar a transição com base nas metas e estratégias dessa Lei– afirmou o educador Daniel Cara, que participa do grupo e foi um dos principais atores na discussão do PNE.

Outros temas foram abordados, como a revisão e aperfeiçoamento da reforma do ensino médio e a ampliação da educação integral. Houve divergência em relação à aprovação do Sistema Nacional de Educação (SNE), conhecido como SUS da educação, ainda neste ano. Entre os colaboradores, há quem defenda que o tema seja apreciado somente na próxima legislatura para que a proposta possa ser aprimorada. Caso o tema não seja votado neste ano pelo Congresso, a proposta é que a aprovação do texto seja uma das prioridades dos 100 dias de governo.

A recomposição de aprendizagem dos estudantes, que foram afetados pela interrupção de aulas durante a pandemia, esteve entre os temas principais do encontro.

Representante do Todos pela Educação na reunião, Priscila Cruz, sugeriu a criação de uma secretaria especial para a primeira infância, que seria ligada à Presidência da República para reunir esforços de vários ministérios. Na educação técnica, uma das sugestões é de que a política tenha como referência o trabalho dos institutos federais e das Etecs do Centro Paula Souza.

Participaram ainda da reunião desde nomes ligados ao setor privado como Denis Mizne, da Fundação Lemann, e Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco; até ex-gestores como Chico Soares, ex-presidente do Instituto Nacional e Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e a ex-ministra de Administração do governo Fernando Henrique Cardoso, Cláudia Costin. Professora da USP e idealizadora do Prouni, Ana Estela Haddad, casada com o ex-ministro Fernando Haddad, também participa da reunião.

A Paula Louzano, referência em estudos sobre modelos curriculares, e Anna Helena Altenfelder, diretora executiva do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) estiveram na reunião. A socióloga Neca Setubal, aliada de Marina Silva, também participou.