Número 2 da Secom é irmão de administrador da empresa de Wajngarten

FÁBIO FABRINI E JULIO WIZIACK
BRASÍLIA, DF, 15.01.2020 – FÁBIO-WAJNGARTEN: O chefe da Secom (Secretária de Comunicação Social da Presidência da República), Fábio Wajngarten, conversa com o ministro-chefe da Secretária de Governo da Presidência, general Luiz Eduardo Ramos, após fazer pronunciamento sobre denúncias de que recebe por meio de uma empresa da qual é sócio, dinheiro de emissoras de TV e de agências de publicidade contratas pela própria secretária, ministérios e estatais do governo do presidente Jair Bolsonaro. A coletiva de imprensa acontece no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), nesta quarta-feira (15). (Foto: Andre Coelho/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, escolheu para ser seu número 2 no governo o irmão do empresário que administra sua empresa privada, a FW Comunicação e Marketing.

Em maio de 2019, o secretário escolheu para assessorá-lo o publicitário Samy Liberman. Primeiro, ele foi posto no cargo de subsecretário de Comunicação Digital. Depois, em agosto, foi alçado à função de secretário-adjunto de Comunicação Social. 

As nomeações foram oficializadas por meio de portarias da Casa Civil. Em abril, o irmão dele, Fabio Liberman, havia assumido a gestão da FW.

Como noticiou a Folha de S.Paulo nesta quarta (15), Wajngarten deixou a função de administrador, mas permanece como o principal sócio da empresa. A firma recebe dinheiro de contratos com emissoras de TV, entre elas a Band e a Record, além de agências de publicidade contratadas pela própria Secom, ministérios e estatais do governo Jair Bolsonaro.

A legislação vigente proíbe integrantes da cúpula do governo de manter negócios com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões. A prática implica conflito de interesses e pode configurar ato de improbidade administrativa, demonstrado o benefício indevido. Entre as penalidades previstas está a demissão do agente público.

Como número 2 da Secom, Samy participa de decisões e de agendas relativas à distribuição das verbas de publicidade. Além de irmão, é sócio de Fabio Liberman em empresas. 

Procurado pela reportagem nesta quarta, Fabio Liberman afirmou que ele e Samy conhecem Wajngarten desde crianças, tendo sua confiança, o que motivou a escolha de um para auxiliá-lo na esfera pública e do outro na esfera privada. "O Samy é meu irmão. A gente é junto". 

Questionado sobre se a nomeação do secretário-adjunto foi motivada pelo parentesco que tem consigo, Fabio Liberman declarou: "Claro. A relação é que a gente conhece o Fabio [Wajngarten] faz quase 40 anos. Sou publicitário, trabalho com isso há muito tempo. Quando ele foi convidado para o governo, eu era o cara mais próximo dele, em que ele confiava".

Segundo ele, Samy foi "a primeira pessoa" que Wajngarten convidou para a Secom. É engenheiro e publicitário, tendo, de acordo com o irmão, qualificação para as atividades que desempenha. 

A reportagem telefonou para Samy nesta quarta, mas ele interrompeu a ligação, alegando que não poderia falar. 

A reportagem procurou a Secom, que ainda não se pronunciou.