Número de assassinatos sobe 8% no Brasil nos dois primeiros meses de 2020

Governo quadruplica número de munições permitidas a civis que têm posse e porte de arma

O número de homicídios no país aumentou 8% nos dois primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados do índice nacional de homicídios criado pelo portal de notícias "G1", com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal, mostram uma reversão na tendência de queda vista em 2019. No ano passado, os assassinatos caíram 19% em todo país no ano e de 25% no primeiro trimestres, se comparado a ano anterior.

De acordo com o levantamento, houve 7.743 mortes violentas no primeiro bimestre de 2020. No ano passado, foram 7.195 no mesmo período. No fim de 2019, o Brasil registrou cerca de 41 mil vítimas de crimes violentos, o menor número desde 2007.

O Ceará foi o estado com o maior aumento de homicídios no país: o número de vítimas passou de 356, em 2019, para 717 neste ano. O levantamento mostra que fevereiro foi o mês com mais violência no estado desde 2013, com cerca de 450 mortes.

A região Sul teve um aumento de 3% no número de assassinatos, enquanto as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste tiveram baixa. Na contramão da alta nacional, sete estados do país mantiveram suas tendências de queda: Roraima, que teve a maior queda, Pará, Goiás, Rio Grande do Sul, Rondônia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

O pesquisador Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), disse ao "G1" que, desde que o Monitor da Violência identificou a queda de homicídios em 2018 e 2019, surgiu a dúvida se ela era uma tendência mais duradoura e ligada a transformações estruturais ou se era mais circunstancial.

"Desde o último trimestre de 2019, os sinais de um crescimento de homicídios já apareciam em alguns estados e acendiam o sinal amarelo. O crescimento em 20 das 27 unidades no primeiro bimestre deste ano, no entanto, foi pior do que qualquer um esperava", afirma.

O pesquisador diz que ainda é cedo para apontar os motivos da alta.

"Estaria havendo algum tipo de tensão no mercado de drogas que antes não havia? Será que o aumento de armas em circulação pode estar promovendo seus efeitos agora? A autoridade dos novos governadores e do presidente, que assumiram em 2019, estaria perdendo capacidade de dissuasão?", questiona Bruno Paes Manso.

Essa é a primeira parcial divulgada no ano. Em razão da pandemia do novo coronavírus, houve atraso na entrega dos dados e dificuldade para obter os números de todos os estados.

O levantamento faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o NEV-USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.