Número de brasileiros que não torcem para nenhum time é maior que o de flamenguistas

Um em cada quatro brasileiros não torce para nenhum time de futebol. O índice, revelado pela pesquisa O GLOBO/Ipec realizada para medir o tamanho das torcidas no país, supera até o número de pessoas que declararam torcer pelo Flamengo, que liderou entre os clubes nacionais a preferência dos entrevistados.

Segundo o levantamento, feito pelo Ipec entre os dias 1º e 5 de julho, ouvindo 2 mil pessoas de forma presencial em 146 municípios brasileiros, 24,4% dos entrevistados responderam não ter um time do coração. O Flamengo teve 21,8% das menções. O Corinthians, segundo clube mais mencionado, alcançou 15,5%. No caso dos índices de torcidas, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%, porque os entrevistados podiam citar mais de um time de sua preferência.

A pesquisa aponta que os homens têm maior preferência por times específicos: apenas 13,6% responderam não torcer para ninguém. Entre as mulheres, o percentual de quem não tem time sobe 20 pontos percentuais.

Há também um componente socioeconômico ligado a uma preferência maior ou menor por clubes de futebol: quanto mais pobre, de acordo com a pesquisa, maior a probabilidade de não manifestar preferência por nenhum time. No estrato dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 31,3% – ou seja, quase um terço – disseram não torcer para ninguém. O Flamengo, clube mais citado nesta faixa de renda, chegou a 20,8% das menções neste estrato.

À medida que os entrevistados declaram rendas maiores, cresce também a definição por um time do coração. Entre os mais ricos, com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 14,4% afirmaram não ter time. Mesmo com a diminuição, o índice ainda é superior ao dos torcedores da grande maioria dos clubes brasileiros: é similar ao percentual de menções ao São Paulo entre os mais ricos (15,1%), e fica atrás apenas dos percentuais de Flamengo e Corinthians nesta faixa de renda.

Moradores de municípios menores, abaixo de 50 mil habitantes, também afirmaram com maior frequência não torcer para nenhum time (28,2%) dos que os habitantes de grandes cidades, com mais de 500 mil habitantes – onde o percentual dos sem time, de 19,7%, fica atrás da torcida do Flamengo, que teve 23,7% das menções.

A concentração dos clubes mais competitivos do país em cidades populosas, e a consequente ausência de representantes do interior nos torneios nacionais de maior porte, ajuda a explicar o fenômeno. Na Série A, somente dois clubes, Santos e Bragantino, estão sediados em municípios com menos de 500 mil pessoas.

Na Série B, o número aumenta para sete, mas os clubes de cidades pequenas seguem sendo minoria. O clube sediado na menor cidade é o Tombense, fundado na pequena Tombos, na Zona da Mata mineira, que tem pouco mais de 7 mil habitantes, segundo a estimativa mais recente do IBGE. A equipe manda seus jogos em Muriaé, cidade de cerca de 100 mil habitantes.

Criciúma, Novorizontino, Brusque, Chapecoense, Operário e Ituano completam a lista de clubes da segunda divisão que não estão na categoria de cidades mais populosas do país. Destes, a última a disputar uma Série A foi a Chapecoense, rebaixada no ano passado.

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