Número de brasileiros sem dinheiro para comprar comida dobra de julho a novembro, diz Unicef

Por Rodrigo Viga Gaier
·2 minuto de leitura
Mulher carrega botijão de gás doado em favela da Rocinha, no Rio de Janeiro

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O percentual de brasileiros que deixaram de comer por falta de recursos dobrou entre julho e novembro deste ano, de acordo com uma pesquisa do Unicef divulgada nesta sexta-feira, com muitos lares sem conseguir alimentar crianças e adolescentes durante a pandemia.

No segundo estudo do Unicef sobre os impactos sociais da Covid-19 no Brasil, o aumento da insegurança alimentar chamou atenção, com 13% dos entrevistados dizendo que deixaram de comer por falta de dinheiro. Em julho, esse percentual era de 6%.

Nas classes mais pobres, o percentual de insegurança alimentar foi a 30% em novembro, o dobro do observado na primeira pesquisa em julho, segundo o levantamento.

De acordo com a pesquisa, 8% dos entrevistados que moram com pessoas menores de 18 anos declararam que as crianças e os adolescentes do domicílio deixaram de comer por falta de dinheiro para comprar alimentos. Entre aqueles de classe D e E, a proporção chega a 21%.

“É extremamente preocupante o cenário de insegurança alimentar que a pandemia traz para crianças e adolescentes. Uma família que não consegue alimentar adequadamente suas crianças está vivendo na mais absoluta privação de direitos. É urgente o desenvolvimento de políticas públicas direcionadas à parcela mais pobre”, disse Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil, em comunicado.

Após 9 meses de pandemia no Brasil, o Unicef fez um alerta especial sobre o agravamento da situação de crianças e adolescentes no país, especialmente em famílias mais pobres, uma vez que 55% dos entrevistados declararam que o rendimento de seu domicílio diminuiu desde o início da pandemia, o equivalente a 86 milhões de brasileiros.

A pesquisa do Unicef apontou que essa queda na renda domiciliar é ainda mais forte entre as pessoas que vivem com crianças e adolescentes em casa. Entre estes, 61% dos entrevistados declararam que a renda da família diminuiu.

“O auxílio emergencial foi de extrema importância para garantir renda para uma parcela muito significante da população. O que é fundamental é que as famílias mais vulneráveis tenha acesso seguro à renda", disse Liliana Chopitea, chefe de políticas sociais, monitoramento e avaliação do Unicef no Brasil, à Reuters.

Criado em função da pandemia de coronavírus para socorrer os mais vulneráveis, o auxílio emergencial foi prorrogado pelo governo até o fim do ano, mas com um valor menor (passando de 600 para 300 reais). É pouco provável que a ajuda seja estendida para 2021.