Número de cidades do Rio com reforço na segurança para eleição aumenta 142%

***ARQUIVO***ITUMBIARA, GO - Com forte esquema de segurança com a PM de Goiás e homens do Exército, o TRE inicia apuração das urnas na sede da sigla, em Itumbiara. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***ITUMBIARA, GO - Com forte esquema de segurança com a PM de Goiás e homens do Exército, o TRE inicia apuração das urnas na sede da sigla, em Itumbiara. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O número de municípios do Rio de Janeiro que solicitaram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reforço da força federal para o dia das eleições aumentou 142% em quatro anos de acordo com dados da corte.

No estado berço político do presidente Jair Bolsonaro (PL), 167 cidades pediram auxílio para garantir a realização da votação no primeiro turno, ante 69 em 2018. É o campeão de pedidos.

Em relação às últimas eleições presidenciais, houve um acréscimo de 10% nas solicitações em todo o país. Da última vez, 372 zonas eleitorais localizadas em 513 municípios pediram ajuda de forças federais. Em 2022, foram 568 municípios e 410 zonas eleitorais.

O número de estados atendidos é o mesmo, 11. Mas há algumas diferenças significativas. O Rio Grande do Norte, que em 2018 havia contado com o reforço em 97 cidades, não está na lista desta vez. Em seu lugar entrou Alagoas, terra do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com duas cidades.

A unidade da federação com o maior número de municípios solicitantes havia sido o Piauí nas eleições passadas, com 134 — em 2022 serão 85. No Tocantins também houve decréscimo, de 14 para 10.

Outros estados registraram aumento significativo. No Ceará, domicílio eleitoral do presidenciável Ciro Gomes (PDT), saltou 620%, de cinco para 36. No Maranhão, 34%, indo de 72 para 97. São Paulo não consta entre os solicitantes em nenhuma das duas ocasiões.

Os números são reflexo da escalada da violência política nas eleições deste ano, já com dois assassinatos de apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste domingo, uma confusão entre o candidato a deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e um apoiador de 15 anos do MBL terminou com o jovem ferido.

No início de setembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), pediu ajuda ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, para garantir que candidatos consigam fazer campanha em áreas dominadas pela milícia.

"Tenho ouvido [relatos] da campanha política de candidatos na Zona Oeste do Rio que têm sido permanentemente constrangidos por milicianos de fazer campanha", afirmou na ocasião.

O reforço das forças federais à realização das eleições está na legislação desde 1965. Pela regra, cabe aos TRE's (Tribunais Regionais Eleitorais) encaminhar os pedidos indicando os locais ao TSE que, quando aprova, repassa para o Ministério da Defesa.