Número de empresas que divulgam dados ambientais cresce 46% no último ano

Seja por pressão ou convicção, mais empresas brasileiras estão submetendo seus resultados, indicadores e estratégias ambientais ao Carbon Disclosure Project (CDP), organização internacional sem fins lucrativos que atua há 22 anos na compilação e análise de dados relacionados à mitigação das mudanças climáticas.

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O número de empresas brasileiras que relatam informações de atuação e compromissos no combate às mudanças climáticas aumentou em 46% em 2021 na comparação com o ano anterior, indo de 838, em 2020, para 1.227, em 2021, conforme levantamento feito pelo CDP Latin America e divulgados com exclusividade pelo Prática ESG. Somadas, as empresas participantes representam um valor de R$ 3 trilhões em termos de capitalização de mercado no Brasil.

Da base total, 396 empresas (32%) reportaram pela primeira vez os dados, o que mostra que a temática entrou de vez no radar do setor corporativo.

- A transparência é imprescindível para que a sociedade avalie os reais avanços no alcance das metas de combate às mudanças climáticas - afirma Lais Cesar, gerente de desenvolvimento de negócios do CDP. -Há empresas que relatam seu nível de engajamento principalmente a pedido de investidores, mas muitas entendem ser este um processo de autoavaliação e de gestão, e divulgam voluntariamente suas informações -conclui.

Ainda segundo o levantamento do CDP Latin America, na América Latina, houve 40% de crescimento de participantes em 2021 em relação ao ano anterior, com 1.985 organizações, sendo 146 de capital aberto. As novatas somaram 578 empresas. Do total de participantes da região, 62% são brasileiros.

Pero no mucho

Apesar dos avanços no Brasil, nem metade (48%) das companhias que reportam dados ao CDP tem um plano de transição de baixo carbono avaliado pela Reunião Geral Anual (RGA), evento realizado pelo alto escalão das empresas. Ter esse plano validado pela RGA significa garantir que a condução dos negócios seja feita com governança corporativa, contribuindo para alcançar as metas de descarbonização.

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Quando analisada a divulgação de riscos e oportunidades relacionados ao clima e como eles influenciam suas estratégias, em 2021, a maioria das brasileiras (53%) fez o reporte, ante 36% da média global – ao todo, no ano passado, 4.800 organizações repassam informações ao CDP.

No total, companhias de 13 setores diferentes no país reportaram os dados, sendo os principais: Manufatura (27%), Serviços (21%), Alimentos, bebidas e agricultura (15%), Transportes (14%) e Materiais (11%).

Riscos e soluções

Uma conta interessante feita pelo CDP é da exposição aos riscos climáticos. Segundo a organização, as empresas brasileiras estão expostas a riscos de R$ 565 bilhões quando deixam de considerar investimento em três pontos cruciais para a conservação do meio ambiente: mudanças climáticas, segurança hídrica e combate ao desmatamento.

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Observando, então, quem já corre atrás das soluções, pouco mais de um terço (35%) das participantes implementaram ao menos uma iniciativa para reduzir emissões ao longo do último ano. Foram reportadas 901 resoluções que dizem respeito à eficiência energética nos processos de produção (23%), consumo de energia de baixo carbono (15%), eficiência energética em edifícios (14%) e transporte (13%).

Para empresas de capital aberto, a nota do CDP pode ser usada como parte do questionário da B3 para quem tem interesse em entrar ou permanecer na carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). É preciso, porém, ter ao menos nota “C” (a escala vai de “A” a “F”, sendo A a melhor e F quem não reportou ou não entregou tudo).

Mas, além do setor privado, estados e governos podem também reportar dados ao CDP. No Brasil, 21 estados brasileiros divulgaram suas ações, riscos, políticas e oportunidades para o enfrentar mudanças climáticas por meio da plataforma do CDP-ICLEI Track em 2021. O número é 90% maior comparado a 2019, quando só 11 estados reportaram. Em 2020, porém, a plataforma contou com a participação de 26 estados brasileiros. A pandemia e as eleições impactaram nesse número, de acordo com o CDP.

Mesmo assim, o Brasil tem participação bastante ativa, uma vez que 51% dos estados da América Latina que reportam dados à organização são brasileiros. Na comparação anual, são 21 brasileiros de 96 estados no mundo que publicam informações pelo CDP.

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