Número de infectados por coronavírus passa de 100 mil

Por Patrick BAERT
Homem caminha de máscara por uma rua de Bangcoc

A epidemia do novo coronavírus já infectou mais de 100 mil pessoas, e o nervosismo que reina voltou a derrubar bolsas e o petróleo, além de causar o cancelamento de eventos, nesta sexta-feira (6).

O número de infectados nesta sexta-feira às 14h (Horário de Brasília) era de 100.871, dos quais 3.459 morreram, em 92 países - conforme balanço atualizado pela AFP com base em fontes oficiais.

A alta se deve à crise no Irã, que contabilizou 1.234 novos casos nas últimas 24 horas.

Na Itália, as autoridades registraram outros 49 mortos nas últimas 24 horas, com um total de 197 mortos desde que a doença chegou ao país.

O Vaticano informou sobre o seu primeiro caso e anunciou a suspensão da atenção a pacientes externos em seu pequeno centro médico, onde o contágio foi registrado.

Os grandes espaços sagrados do mundo muçulmano, desde Meca, na Arábia Saudita, aos mausoléus xiitas iranianos, apresentavam um cenário desolador durante as orações desta sexta.

Em Belém, onde foi fechada temporariamente a Basílica da Natividade, os turistas não podiam entrar ou sair, após um novo aumento dos casos na Cisjordânia, a 16.

A Espanha registrou oito mortos e um total de 374 casos nesta sexta. A Holanda, que tem 82 contágios, confirmou o seu primeiro morto.

A única notícia otimista é a contenção feita pela China, na província de Hubei, onde surgiu a epidemia. As autoridades impuseram quarentena a cerca de 50 milhões de pessoas no final de janeiro, e a região parece ter se livrado do ápice de contágios.

Na China, os casos de novos contágios eram de 143, e foram registrados 30 mortos.

Em Singapura, um funcionário do Facebook foi diagnosticado nesta sexta com o novo coronavírus, fechando as fábricas do gigante digital nessa cidade.

- Gastos de emergência -

O Congresso americano aprovou um plano de emergência de 8,3 bilhões de dólares para financiar a luta contra a COVID-19 no país, que registra 12 mortes e 180 casos de contágio.

O principal sindicato de enfermeiros dos Estados Unidos denunciou o pouco preparo de vários hospitais e manifestou preocupação com a falta de equipamento e de informações para os profissionais da saúde.

Na Califórnia, as autoridades começaram a examinar os passageiros de um cruzeiro retido na costa.

Com 3.500 pessoas a bordo, o "Grand Princess" pertence à mesma empresa que o "Diamond Princess", que permaneceu bloqueado na costa do Japão e onde foram registrados mais de 700 contágios, seis deles fatais.

No Egito, as autoridades detectaram 12 casos entre os tripulantes de um cruzeiro no Nilo.

Em poucas semanas, muitos países viram o fim dos estoques de máscaras, gel desinfetante, luvas, trajes de proteção e óculos. Vários governos proibiram a exportação de material médico para reservar os produtos para profissionais de saúde e infectados.

A França anunciou a suspensão das aulas nos dois estados mais afetados, Oise e Alto Reno.

Em um fato incomum na China, moradores de Wuhan - epicentro da epidemia e cujos 11 milhões de habitantes vivem confinados desde o fim de janeiro - vaiaram a vice-primeira-ministra que visitava a cidade, pela falta de mantimentos.

- Queda no turismo e economia -

O número de turistas em circulação pelo mundo neste ano sofrerá uma queda de 1 a 3%, com até US$ 50 bilhões perdidos, prevê a Organização Mundial do Turismo (OMT).

O impacto da COVID-19 no tráfego aéreo pode provocar perdas de até 113 bilhões de dólares para as companhias aéreas em 2020, advertiu a Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA).

A alemã Lufthansa anunciou a redução de 50% do seu plano de voos.

A epidemia vem provocando estragos nos mercados internacionais, no turismo, nos eventos esportivos e na educação, com quase 300 milhões de estudantes sem aulas em todo planeta.

As principais Bolsas europeias operavam em baixas expressivas de quase 3,5% nesta sexta-feira, e a cotação do petróleo recuava 4%, resultado da preocupação cada vez maior com as consequências do novo coronavírus na economia mundial. A Bolsa de Tóquio perdeu 2,32%.

Muitos países proibiram a entrada em seus territórios, ou colocaram em quarentena, as pessoas procedentes das zonas afetadas.

Seul protestou contra medidas que chamou de "irracionais" adotadas pelo Japão para as pessoas que chegam da Coreia do Sul.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnur) advertiu que os governos que usam bloqueios e quarentenas devem garantir o respeito aos direitos das pessoas.

No mundo esportivo, a partida do Torneio Seis Nações de rúgbi entre Itália e Inglaterra, prevista para Roma em 14 de março, foi adiada. Já a Maratona de Paris passou de 5 de abril para 18 de outubro.

A indústria do cinema indiano anunciou o adiamento da cerimônia anual de premiação, o Oscar de Bollywood, que estava prevista para 27 de março.

O Japão decidiu, por sua vez, cancelar a cerimônia anual de recordação que marca o aniversário do tsunami, seguido por um desastre nuclear, de março em 2011.

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