Número de internados em UTI bate recorde em 13 das 18 regiões do estado de SP

FLÁVIA FARIA
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Foto: AP Photo/Andre Penner
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O número de internados com Covid-19 em UTIs públicas bateu recorde em 13 das 18 regiões do estado de São Paulo neste ano, em meio ao forte crescimento de novos casos nas últimas semanas. As piores situações estão em Bauru, Araraquara e Presidente Prudente, todas com mais de 90% de ocupação nos leitos. A área que engloba a capital paulista está com 80%, praticamente igual ao pior período de 2020. 

O jornal Folha de S.Paulo analisou dados de internações nas 18 regiões em que São Paulo é dividido de acordo com o Plano SP. O plano prevê medidas de isolamento social, que podem ser regionalizadas, para conter a disseminação do coronavírus. Desde este sábado (6), porém, todo o estado está na fase vermelha, a mais rigorosa, em que apenas serviços essenciais podem funcionar. 

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Em 11 regiões, a taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva em 2021 superou o pico do ano passado — houve ampliação de leitos em alguns locais, o que suavizou a situação mesmo diante de uma demanda inédita por internações. 

Nesta quinta (4), as UTIs dos hospitais públicos paulistas tinham cerca de 7.000 pacientes. É a maior taxa já registrada até o momento, e a ocupação chega a 77% no estado como um todo. Em Bauru, a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) tem travado um embate com o governador João Doria. A gestão municipal chegou a editar um decreto que ampliava o leque de atividades consideradas essenciais, flexibilizando medidas impostas pelo governo.

A lei, depois suspensa pela Justiça, permitia o funcionamento, por exemplo, de shoppings, bares e salões de beleza. Rosim também participou de uma manifestação crítica a Doria e que pedia a abertura do comércio na cidade. O governador, por sua vez, disse que a prefeita fazia "vassalagem" ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em vez de adotar medidas para frear a contaminação entre os bauruenses. Em forte alta desde dezembro, o número de infecções pela doença na região tem apresentado tendência de estabilidade nas últimas duas semanas, embora em patamar mais alto que o registrado em 2020. 

Araraquara, por sua vez, foi fortemente afetada pela nova variante do coronavírus descoberta no Amazonas e vive dias dramáticos. Das 202 mortes registradas no município até a quarta, 112 (55%) ocorreram neste ano. Apesar de fortes medidas restritivas que vigoram desde fevereiro, os casos ainda crescem com velocidade — a média de novos infectados nesta semana é 60% maior que há 14 dias. Em Presidente Prudente, onde os casos avançam rapidamente e há recorde de diagnósticos, 19 pacientes aguardavam na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) por transferência para algum hospital até esta quarta-feira (3), segundo a prefeitura. 

O jardineiro Paulino Pontólio, 51, esperou por quatro dias para conseguir leito de UTI, em Dracena (SP), conta o filho, o operador de máquinas Luís Paulo Ferreira Pontólio, 25. "Ele começou a passar mal no dia 12 [de fevereiro], precisou de UTI e só foi transferido quatro dias depois para o HR [Hospital Regional, em Prudente]", diz. Seu pai teve alta no último domingo. O próprio operador ficou internado na UTI no mês passado, quando a oferta de vagas ainda não havia atingido grau tão crítico como agora. ​ 

A aposentada Luzia Machado Barbosa, 68, também esperou na fila. Segundo sua neta, a técnica de enfermagem Jeniffer Barbosa Oliveira, ela recebeu diagnóstico positivo de Covid-19 no dia 4 de fevereiro. Três dias depois foi internada na UPA de Prudente e, após uma semana, foi levada ao hospital do município vizinho de Regente Feijó. Luzia precisou aguardar três dias até que fosse transferida para um leito de terapia intensiva, mas já era tarde demais. Ela não resistiu e morreu no último dia 19. 

A região soma 767 óbitos desde o início da pandemia. Na capital, mais de 2.500 pacientes estavam internados em UTIs na quinta. Nesta última semana, foram admitidos, entre leitos intensivos e de enfermaria, 4.362 pacientes por dia, em média. 

A taxa de ocupação de UTIs públicas chegou a 80%, repetindo o recorde de 2020. Já instituições particulares como Beneficência Portuguesa, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Oswaldo Cruz tiveram mais de 95% dos leitos para Covid ocupados nesta semana. São Paulo conseguiu estabilizar o número de novos casos nas últimas semanas, mas ainda é cedo para dizer se essa tendência se manterá a longo prazo. Nesta sexta, a cidade somava 536,6 mil contaminados e 18,9 mil mortes pela Covid-19.