Número de mortes na pandemia é ao menos 66% maior do que o relatado, diz OMS

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - O número total de mortes globais causadas pela Covid-19 em 2020 é de ao menos 3 milhões, ou 66% acima do 1,8 milhão oficialmente relatado, afirmou nesta sexta-feira (21) a OMS (Organização Mundial da Saúde) ao divulgar o relatório Estatísticas da Saúde Mundial de 2021.

A Europa registrou 98% das mortes e a África, apenas 10%, de acordo com avaliação recente da capacidade dos sistemas de informação em saúde em 133 países. Os países também usam processos diferentes para testar e relatar mortes por Covid-19, dificultando as comparações.

Para superar essas lacunas, países optaram por medir o impacto da pandemia a partir do excesso de mortalidade -a diferença no número total de mortes em uma crise em comparação com o esperado em condições normais. O número inclui tanto quem morreu por ter contraído o coronavírus quanto os que tiveram outros problemas agravados pelo colapso hospitalar e dos serviços de saúde.

A OMS estima que as mortes excedentes tenham sido de ao menos 3,4 milhões em 2020.

O relatório, com os dados mais recentes sobre objetivos de desenvolvimento sustentável relacionados à saúde, incluiu uma análise do impacto da pandemia e um registro das tendências de saúde globais e regionais entre 2000 e 2019.

Segundo a OMS, lacunas de dados se acentuaram no último ano, o que deixa o mundo menos preparado para reagir em caso de novas emergências de saúde. Pouco mais da metade (51%) dos países incluíram dados desagregados em relatórios estatísticos nacionais.

Além disso, ampliou-se a persistente desigualdade em saúde. No total, 90% dos países relataram interrupções em serviços essenciais por causa do alastramento da Covid-19, deixando mais distante a meta de atingir cobertura universal de saúde.

"A pandemia afetou desproporcionalmente as populações vulneráveis, que vivem em ambientes superlotados, em maior risco", afirma a OMS.

Até 2019, a entidade vinha registrando um aumento da expectativa de vida global ao nascer, de 66,8 anos em 2000 para 73,3 anos em 2019, com os maiores ganhos registrados em países de baixa renda, principalmente devido às rápidas reduções na mortalidade infantil e nas doenças transmissíveis.

A expectativa de vida saudável, que era de 58,3 anos no ano 2000, passou a 63,7 anos em 2019, o que indica que, apesar do maior número de anos, a qualidade dessa sobrevida não melhorou significativamente. O comprometimento nos anos finais é agora de 9,6 anos (mais de 13% do total), contra 8,5 anos no ano 2000 (12,7% do total).

O levantamento também mostra uma queda de 33% no número de fumantes desde 2000, chegando a 23,6% da população a partir dos 15 anos no mundo. No Brasil, cerca de 16,5% da população a partir de 15 anos é fumante, parcela menor que a média das Américas: 18,6%.

O número de obesos, porém, cresceu: em países de alta renda, um quarto da população estava nessa categoria em 2016 (dado mais recente para comparações). No Brasil, mais de um quinto (22%) da população adulta está obesa; o índice é de 10,8% entre os que têm de 5 a 19 anos.

São índices maiores que a média global --13% e 6,8%, respectivamente--, mas abaixo da média das Américas --28,6% e 14,4%. Nos Estados Unidos, quase 4 em cada 10 adultos (36,2%) estão obesos, condição que também atinge um quinto (21,4%) das crianças e adolescentes.

O relatório também aponta que 7,3% das crianças brasileiras com menos de 5 anos estão acima do peso, taxa superior à média global, de 5,7%. O índice das Américas, 8%, é o maior do mundo.

Doenças não transmissíveis --como problemas cardíacos, derrames e câncer-- causaram 7 das 10 mortes no mundo em 2019.

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