Número de mortes por Covid continua com tendência de alta no Rio e preocupa autoridades

·3 minuto de leitura

A Prefeitura do Rio publicou ontem um novo decreto de medidas restritivas contra a Covid-19. A determinação, que passa a valer a partir de hoje e vai até o dia 3 de maio, libera de segunda a sexta-feira a circulação em praias, parques e cachoeiras, que continua proibida em sábados, domingos e feriados. O secretário municipal de Fazenda e Planejamento, Pedro Paulo Carvalho, disse ontem que a prefeitura decidiu aliviar algumas medidas de restrição em razão de indicativos como a redução da procura nos atendimentos de emergência da cidade. O município, no entanto, continua com “risco muito alto”, segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde, Márcio Henrique Garcia.

Ontem, o estado registrou 272 óbitos por Covid-19 e mais de 4,6 mil casos da doença. Desde o início da pandemia, 42.634 pessoas morreram. A média móvel passa a ser de 3.284 casos e 274 mortes por dia. A média móvel de óbitos cresceu 15%, em relação a duas semanas, o que indica tendência de alta.

Garcia enfatizou, também ontem, que o índice de óbitos ainda tem esta tendência de alta:

— A alta da curva de óbitos se deve a uma tendência natural da doença, que demora cerca de 20 dias para apresentar desfecho clínico.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, ressaltou ainda a necessidade de manter todos os cuidados para evitar o contágio:

— Esse decreto é de transição. Permite um pouco mais de flexibilização, mas com muita parcimônia.

A nota técnica da secretaria de Saúde aponta que da semana epidemiológica 13 (entre 28/03 e 03/04) para a semana 14 (entre 04/04 a 10/04) houve redução de 21% no número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave no Rio. Porém, os indicadores da taxa de ocupação de leitos de UTI e do tempo estimado para o esgotamento das vagas de terapia intensiva continuam sendo um fator de grande preocupação. Na região Metropolitana 1 (capital e Baixada), a estimativa é do esgotamento dos leitos de UTI em sete dias. Em todo o estado, o cálculo aponta para a possibilidade de esgotamento em oito dias.

Pelo novo decreto, atividades econômicas não essenciais podem funcionar até as 22h, sem determinação de horário de entrada. Todas as atividades têm de ter lotação máxima limitada a 60% da capacidade, no caso de locais abertos, e a 40% em locais fechados, com respeito à norma de 1,5m de distanciamento. Em todos os casos, está proibida a formação de filas de espera.

A prática de atividades esportivas coletivas em áreas comuns e nas praias continua liberada. Mas há uma novidade em relação ao decreto anterior: só podem ter quatro pessoas por grupo. A atividade de ambulantes volta a ser permitida nas praias, mas só de segunda a sexta. As áreas de lazer da orla continuam suspensas aos domingos.

De acordo com o secretário municipal de Fazenda e Planejamento, Pedro Paulo Carvalho, não haverá mais restrição de estacionamento na orla. Continua proibido o funcionamento de boates, danceterias e casas de espetáculo, assim como a permanência nas ruas e praças públicas das 23h às 5h. Também estão vetados shows, festas e rodas de samba, bem como a circulação de ônibus de fretamento com turistas sem reserva de hospedagem ou transportando funcionários.

— Ainda que se mantenha a quantidade de internação em cerca de 1,4 mil, temos diminuição grande na fila de espera. No pico, tivemos cerca de 800 pessoas nessa fila. Agora, como chequei ontem (quinta-feira), há cerca de 30 — afirmou Pedro Paulo, na coletiva de divulgação do 16º Boletim Epidemiológico da Covid-19 no Rio.

Para Gulnar Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, é preciso queda por mais tempo para flexibilizar as medidas de restrição:

— A queda nas emergências é bom, mas por quanto tempo teremos isso? A pandemia não está controlada.