Número de mortos em ataques israelenses a Gaza sobe para 93

Redação Central, 19 nov (EFE).- O mundo intensifica suas ações na busca de um cessar-fogo em Gaza, quando se completa nesta segunda-feira a quinta jornada da ofensiva israelense na Faixa, onde já morreram pelo menos 93 pessoas e outras 900 ficaram feridas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, viajará hoje do Iêmen ao Cairo para falar sobre a crise em Gaza com o governo egípcio, muito ativo na mediação do conflito, em meio aos apelos internacionais para o fim da escalada de violência.

Desde a quarta-feira passada, o exército israelense realizou mais de 1.350 ataques contra alvos em Gaza como parte da ofensiva "Pilar Defensivo", segundo seus próprios dados. Já as milícias palestinas lançaram mais de 900 foguetes contra Israel, um dos quais matou três israelenses na última quinta-feira.

A chegada de Ban à região coincide com a do ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, que irá hoje a Israel para somar-se aos esforços internacionais. Ontem, foi a vez do chanceler francês, Laurent Fabius.

Em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, expressou hoje sua preocupação pela morte de civis em Gaza e Israel, e disse que a situação atual mostra a necessidade de uma "solução a longo prazo" e a implantação de dois Estados.

"O que devemos fazer agora é conseguir uma solução", ressaltou Ashton em sua chegada à reunião de ministros da Defesa e das Relações Exteriores da UE que analisará a escalada de violência entre israelenses e palestinos, após insistir em que há "pessoas inocentes" que morrem "em ambos os lados".

Por sua vez, o governo chinês pediu o fim do "abuso da força, que causou a morte de civis inocentes" por parte de Israel, e pediu ao Executivo israelense que negocie um cessar-fogo. A China destacou "a justa posição dos países árabes na questão palestina", afirmou a nova porta-voz das Relações Exteriores, Hua Chunying, ao expressar o apoio chinês ao Egito em seus esforços para reduzir as tensões.

Como parte desses esforços, o presidente egípcio, Mohammed Mursi, conversou nas últimas horas com o chefe do Governo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que qualificou os ataques israelenses a Gaza como "crimes contra a Humanidade e de guerra", e pediu um consenso internacional para restaurar a paz, informou hoje a agência oficial iraniana "Irna".

O Irã se ofereceu para enviar ajuda humanitária aos palestinos, e o ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, disse que faz gestões para visitar esse território junto com uma delegação parlamentar.

Na mesma linha, os talibãs afegãos condenaram hoje a ofensiva israelense em Gaza e pediram à comunidade internacional que interceda para apoiar o povo palestino. Os insurgentes afegãos também pediram aos muçulmanos de todo o mundo, a indivíduos e organizações internacionais, que "reajam com contundência" para que os palestinos sintam um seu apoio e para que acabe "esta agressão".

No meio dos esforços diplomáticos, a ONG Save The Children alertou hoje para o "efeito devastador" que a ofensiva pode ter na população infantil, que representa a metade dos 1,7 milhão de habitantes de Gaza.

Pelo menos uma criança de 4 anos está entre os 21 mortos nos últimos bombardeios israelenses ao longo da noite, quando foram atacados diversos alvos no norte e no sul da faixa, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza.

O exército israelense confirmou em nota oficial ter atacado cerca de 80 "locais terroristas" durante a noite, incluindo vários pontos de lançamento de foguetes, e "várias unidades terroristas que se preparavam para disparar foguetes a Israel".

Em Gaza capital, foram ouvidos vários bombardeios noturnos, embora menos que nas noites anteriores, e o barulho constante dos aviões não tripulados israelenses sobrevoando o enclave palestino.

Segundo testemunhas, a aviação israelense atacou propriedades de milicianos importantes do Hamas na cidade de Khan Yunes, no sul de Gaza, e no campo de refugiados de Al Bureij e outros lugares da capital, assim como vários alvos no norte do território e em Rafah, na fronteira com o Egito.

Na Cisjordânia, os protestos dos palestinos contra a ofensiva de Gaza deixaram pelo menos 55 feridos nos últimos dias, em confrontos com as forças de segurança israelenses que ocupam este território. EFE

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