Número de universitários brasileiros cresce nos EUA; saiba como conseguir uma bolsa

Bruno Alfano

RIO — Pelo terceiro ano seguido creceu o número de brasileiros estudando nos EUA. No último ano letivo americano, 2018-2019, foram mais de 16 mil alunos de graduação, pós e cursos livres de nível superior.

O número ainda está abaixo do pico, que aconteceu em 2015-2016, quando o programa Ciência Sem Fronteiras estava no seu auge. Naquele momento, eram 23.675 brasileiros em universidades americanas.

Criado no governo de Dilma Rousseff (PT), em 2011, o Ciências Sem Fronteiras enviou 104 mil pessoas para estudar no exterior (não só nos EUA), ao custo de R$ 13 bilhões em sete anos de existência. Foi encerrado oficialmente em 2017. Atualmente, não há programas de incentivo do governo brasileiro, mas há dos EUA (veja abaixo).

Após o recorde de alunos nos EUA, o número caiu, mas voltou a crescer a partir de 2016-2017, quando atingiu 13.089 estudantes. Em 2017-2018 foram 14.620, até chegar à marca atual de 16.059.

Os dados são do relatório Open Doors 2019, realizado pelo Institute of International Education (IIE) a pedido do EducationUSA, organismo ligado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Rita Moriconi, coordenadora regional do EducationUSA no cone sul (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), afirma que o novo crescimento de alunos nos Estados Unidos é resultado de programas de escolas privadas de ensino médio no Brasil.

Entre as ações desses colégios, estão disciplinas em inglês concomitante com as regulares para que o estudante se forme com dois diplomas, um brasileiro e um americano; programas de aplicação seriada do Scholastic Aptitude Test (SAT), o Enem dos Estados Unidos; e a contratação de profissionais especializados nos trâmites burocráticos para o ingressos em instituições no exterior.

— Esse movimento tem acontecido nos últimos três anos — observa Moriconi: — Por isso, os números estão maiores do que eram antes do Ciências Sem Fronteiras.

Como estudar nos EUA

Os sites do Programa de Intercâmbio Educacional e Cultural do Governo dos Estados Unidos da América (clique aqui) e o portal brasileiro da EducationUSA (veja aqui) apresentam oportunidades de bolsas e procedimentos que devem ser realizados.

Rita Moriconi afirma que há cinco principais orientações a serem observadas:

Escolha do curso e das instituições. Há vídeos e dicas sobre o funcionamento das universidades americanas.Maneiras de financiamento e opções disponíveis de bolsa. Existem programas de entidades como a Revisão dos ensaios que devem ser apresentados na aplicação para universidades americanas.Informações para o pedido de visto para estudante.Preparação para a pré-partida, com informações prática sobre as rotinas das universidades e da cultura do ensino superior nos EUA.

— Lá, se a aula está marcada para 9h, o aluno chega cinco para as 9h. Além disso, no começo do curso, os estudantes ganham um plano de aulas que vão usar para se preparar — analisa Moriconi.

O portal também apresenta informações para quem está interessado em cursos de curta duração e também de inglês. Ainda apresenta uma lista de profissionais registrados para serviços como tradução com certificado.

Ajuda a jovens carentes

O Departamento de Estado dos EUA também tem um programa de incentivo chamado Oportunidades Acadêmicas. Ele existe há 13 anos e é voltado para jovens carentes. As inscrições estão abertas até 13 de janeiro de 2020.

O objetivo é fazer com que os estudantes consigam admissões com bolsas de estudo integrais nas universidades nos Estados Unidos. Desde a sua criação, em 2006, ele já auxiliou mais de 300 alunos e é oferecido em duas modalidades: graduação ou pós-graduação (mestrado e doutorado).

O processo de inscrição prevê um formulário online em inglês, que inclui redações, e o envio de documentos acadêmicos (como histórico escolar com boletins) e financeiros, que atestem a realidade financeira da família. Atividades extracurriculares significativas aumentam as chances dos candidatos.

Ao ser admitido, o estudante terá a mentoria de um orientador da EducationUSA, material de estudo para testes e isenção das seguintes taxas: envio de documentos de aplicação, tradução de documentos acadêmicos, provas SAT/ACT, Subject Test, TOEFL/IELTS, além de visto, transporte (passagem aérea) e acomodação para realização das provas.

— Sem o programa, eu não conseguiria — conta Camilo Vasconcelos, de 19 ano.

O jovem de Fortaleza (CE) conseguiu a ajuda do Oportunidades Acadêmicas para tentar uma vaga nas universidades americanas. Conseguiu uma bolsa de estudos em Harvard e desembarcou nos EUA em agosto deste ano.

— Aqui a diversidade é bastante encorajada. Tem gente de vários lugares do mundo, de várias camadas sociais. E eu queria participar disso — conta Camilo, que ainda não decidiu se fará o curso de Psicologia ou Biologia: — Aqui posso pegar várias aulas e ter várias experiências profícuas antes de decidir.

Ele ficará nos EUA até 2023, com tudo pago, morando no campus da universidade.

— Um dia de aula aqui tem menos aulas do que numa universidade no Brasil. Mas você tem que fazer muito estudo por si só: muita leitura, atividades, projetos... — explica.

Atualmente, o Brasil é o nono país com mais universitários nos EUA — ultrapassando o México neste último ano. O ranking é liderado pela China que tem mais de 300 mil alunos nos Estados Unidos.