Números do IBGE enterram ideia de que não há discriminação racial no Brasil

Cássia Almeida
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O IBGE trouxe novos dados da desigualdade racial no país. Os números não dão margem a dúvidas: os negros no Brasil estão nas piores ocupações, com a metade da presença dos brancos nas universidades e sofrem mais com desemprego, falta de estudo e moram mais em lares precários e inseguros.

A discussão sobre a desigualdade racial, que ganhou escala nos últimos tempos, serviu para enterrar as justificativas de que, no Brasil, essa discriminação não existe. Alegações sempre usadas para combater políticas de ação afirmativa.

Isso aconteceu quando se começou a implantar o sistema de cotas nas universidades no país no início dos anos 2000. O problema não era racial, era de pobreza, diziam. A questão é: no Brasil, a pobreza é predominantemente negra. Os resultados da política são incontestáveis: em 2018, pela primeira vez, os negros se tornaram maioria nos estudantes nas universidades. Um feito, após 18 anos de política afirmativa.

Ainda não foi o suficiente para igualar negros e brancos na educação, mas o avanço foi inegável. Agora, a política de cotas começa a chegar, devagar, às empresas, que, pela pressão social, começaram a olhar para falta de negros em cargos de comando.

Somente 2% das vagas nos conselhos de administração estão nas mãos dos negros. A Magalu criou um programa de trainees para candidatos negros com o objetivo de aumentar sua presença nos cargos de liderança da empresa. Mas sem uma política mais atuante de inclusão racial, o Brasil continuará desperdiçando talentos negros e deixando parte dessa população sem acesso aos direitos mais básicos.