Números de mortes por Covid-19 explodem na Baixada Fluminense

Marcos Nunes
Movimento no calçadão no Centro de Nova Iguaçu

RIO — A combinação de pessoas circulando nas ruas com a resistência de alguns ao uso de máscaras resultou numa explosão de casos de Covid-19 na Baixada Fluminense. De acordo com números divulgados, nesta quarta-feira, pela Secretaria estadual de saúde, os 13 municípios da região já contabilizam juntos 534 mortes. Este total representa 16,4% de todos os óbitos registrados no estado por conta da pandemia do novo coronavírus.

Gente que perdeu a vida para a doença como o músico e fundador do Grupo Gospel Margem do Jordão, Roberto Souza da Silva, de 66 anos. Morador de Queimados, e integrante da igreja Assembléia de Deus Campo de Madureira, ele morreu no último dia 11, em um hospital particular de Niterói, pouco mais de uma semana após começar a sentir os primeiros sintomas da doença.

O uso de máscaras nas ruas de Queimados é recomendado por decreto municipal pela Prefeitura, que desde o dia 30 de abril vem realizando testes rápidos para detectar a doença. Segundo o boletim municipal do último dia 19, a cidade contabiliza 616 casos e dez óbitos. No entanto, nem todos seguem a recomendação do uso de proteção facial. Filha do músico morto por conta da Covid-19, Letícia Ferreira da Silva, de 30, diz já ter visto no município pessoas que não usam máscaras e que teimam em não acreditar no coronavírus.

— A ignorância assusta. Tem gente na rua que não usa máscara e diz não acreditar no vírus. Quando isso acontece, digo na hora que perdi meu pai por causa desse vírus. Acho que algumas pessoas só vão acreditar quando também perderem alguém da família — disse.

A preocupação de Letícia faz sentido. Dos 30.372 casos do novo coronavírus registrados no estado, 5.301 (o equivalente a 17,4%) ocorreram justamente na Baixada Fluminense. Para tentar diminuir a disseminação da doença, algumas prefeituras anunciaram a prorrogação de medidas restritivas. Em Nova Iguaçu, onde 106 óbitos foram registrados, o prefeito Rogério Lisboa publicou ato, no Diário Oficial desta terça-feira, estendendo até o dia 26, o bloqueio de circulação de carros e pessoas no calçadão da cidade. A medida deixa de fora apenas trabalhadores e usuários de serviços essenciais localizados na área com restrição.

Também há restrição de circulação de pedestres e funcionamento de comércio no calçadão da Rua da Matriz, no Centro de São João Meriti, onde só serviços essenciais estão autorizados a funcionar. Segundo a Prefeitura, 222 estabelecimentos já foram intimados por descumprirem decreto de medidas restritivas.

Em Belford Roxo, onde nesta quinta-feira era possível encontrar lojas de roupas abertas, o município alegou já ter interditado 61 estabelecimentos por desobediência ao decreto que restringiu o funcionamento do comércio.

Já em Duque de Caxias, onde até quarta-feira haviam sido registrados 155 óbitos, não há restrição de circulação de pedestres no calçadão do Centro do município. No entanto, uma força-tarefa formada por fiscais, guardas municipais e PMs do programa Segurança Presente continuam fiscalizando lojas que insistem em abrir as portas, apesar de um decreto permitir, até o dia 31, apenas o funcionamento de serviços essenciais.

Nesta quarta-feira, os agentes multaram um feirão de roupas, onde funcionavam 200 lojas. Segundo o município, cerca de 250 intimações foram feitas na cidade a responsáveis por lojas que insistiam em desobedecer as normas estabelecidas para evitar aglomerações.

Em Duque de Caxias, onde há 155 óbitos, policiais do Segurança Presente têm ajudado na fiscalização do comércio.