Na abertura da cúpula do G-20, líderes pedem pedem resposta unida contra crise causada pela pandemia

O Globo, com agências
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RIAD, ARÁBIA SAUDITA — Os líderes do G20, que reúne as 20 maiores economias mundiais, deram início neste sábado a sua reunião de cúpula com apelos para traçar coletivamente um caminho para lidar com a pandemia de Covid-19, que causou a maior recessão global, e administrar a recuperação da economia depois que o novo coronavírus estiver sob controle.

“Temos o dever de enfrentar o desafio juntos durante esta cúpula e dar uma forte mensagem de esperança e segurança”, disse o rei Salman bin Abdulaziz, governante saudita de 84 anos, em seu discurso de abertura, transmitido on-line.

A pandemia teve um impacto econômico de longo alcance nos países em desenvolvimento, mas também afetou as nações mais ricas do mundo. E o vírus não dá sinais de diminuir, já que as principais cidades dos Estados Unidos e da Europa trazem de volta bloqueios e toques de recolher.

Nove países do G-20 apresentam a maior número de casos de COVID-19 registrados: Estados Unidos encabeçam a lista, seguidos por Índia, Brasil, França, Rússia, Espanha, Reino Unido, Argentina e Itália, de acordo com uma contagem feita pela Universidade Johns Hopkins. Já a Organização Mundial da Saúde afirma que mais casos de COVID-19 foram relatados nas últimas quatro semanas do que nos primeiros seis meses da pandemia.

Por sua vez, a Organização Internacional do Trabalho afirma que o equivalente a 225 milhões de empregos em tempo integral foram perdidos apenas nos países do G-20 no terceiro trimestre de 2020. Os países membros do grupo representam cerca de 85% da produção econômica mundial e três quartos do comércio internacional .

Enquanto a economia global está se recuperando dos profundos impactos da crise, o ímpeto está diminuindo em países com taxas de infecção crescentes, a retomada é desigual e a pandemia provavelmente deixará cicatrizes profundas, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório para a cúpula do G20.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, que participará da cúpula do G20 neste sábado e domingo, alertou para o impacto sem precedente da pandemia de Covid-19 nos países em desenvolvimento.

“O mundo em desenvolvimento está à beira da ruína financeira e da crescente pobreza, fome e sofrimento incalculável”, afirmou Guterres na sexta-feira, em entrevista organizada pela presidência do G20, que este ano é da Arábia Saudita.

Guterres conclamou os líderes do G20 a aumentar os recursos financeiros para o Fundo Monetário Internacional (FMI), para que o organismo possa socorrer os países mais necessitados.

Insistiu também na importância de que a suspensão do pagamento da dívida pelos países mais pobres do mundo seja estendida desde já até o fim de 2021. Ele apelou ainda que fosse expandido o escopo para os países necessitados de renda média.

No momento, a proposta na mesa do G20 é de extensão da suspensão até junho, deixando em aberto a possibilidade de a medida depois ser ampliada até dezembro.

No entanto, os membros europeus do G20 devem pressionar por mais.

— É necessário mais alívio da dívida— disse presidente dos líderes da UE, Charles Michel, a repórteres na sexta-feira.