Na Argentina, gasolina nos postos sobe 5% com fim de congelamento

O Globo, com La Nación

BUENOS AIRES - Depois de três meses, o congelamento do preço dos combustíveis na Argentina terminou e as companhias de petróleo anunciaram um aumento de 5% nos preços da gasolina e do diesel na bomba desde a madrugada desta quinta-feira. Em média, o litro de gasolina passou dos 50 pesos nas principais marcas do país, YPF, Shell e Axion, com a premium chegando a 58 pesos. Já o litro do diesel oscilou entre 44 e 49 pesos.

No setor, não se espera que os próximos aumentos sejam abruptos. Uma coisa é certa: a brecha para a majoração de preços deve se fechar antes que o novo presidente, Alberto Fernández, tome posse, já que ele e sua equipe econômica já avisaram que estudam aplicar um congelamento de preços nos primeiros seis meses de governo, ou num prazo maior.

As petroleiras quiseram se antecipar e cobrir as perdas que tiveram nos últimos meses.

A escalada inflacionária não dá trégua na crise econômica argentina. A inflação no país em outubro foi de 3,3% e, no ano, já acumula alta de 42,2%. O aumento da taxa no último mês se deveu principalmente ao impacto do processo de dolarização no país, com a consequente desvalorização do peso, que começou depois que o presidente Mauricio Macri perdeu para Fernández as primárias de agosto.

Com oito altas neste ano, os preços dos combustíveis já aumentaram 33% desde janeiro (menos que a taxa de inflação acumulada). Em 2018, deu-se o contrário: os combustíveis subiram 69%, ante uma inflação de 47,6%.

Na quarta-feira, motoristas procuraram se antecipar ao descongelamento e houve longas filas nos principais postos de Buenos Aires.

Com o descongelamento, a YPF, que detém quase 60% do fornecimento de combustíveis, é que vai definir a estratégia que as empresas adotarão agora para fechar a diferença de 10% em relação à paridade com o combustível importado que ainda persiste.

"Ninguém fará mais nada com os preços até que a YPF se mova. O contexto econômico não permite que ninguém fique fora do mercado", disse um dos postos que aguardam a companhia de petróleo controlada pelo governo anunciar sua estratégia.

A Federação dos Empresários de Combustíveis da República Argentina (Fecra) afirmou que a liberação dos preços "não significa que os consumidores tenham que pagar por um aumento desmedido nos preços dos fornecedores".

"A queda nas vendas em nossos postos mostra que qualquer composição de preços deve ser gradual", diz a entidade em nota. "No contexto atual de transição de governos, cremos que é essencial um retorno aos preços normais dos combustíveis em um clima de consenso de todos os atores da cadeia de produção, para não prejudicar o consumidor e a atividade econômica como um todo".