Na Bielorrússia, a bola rola em meio ao coronavírus, e com gol de brasileiro

Renato de Alexandrino

Dizer que a pandemia de coronavírus paralisou o esporte no mundo todo é chover no molhado. Na pequena Bielorrússia, no leste europeu, porém, o cenário é diferente. Tem bola rolando, tem torcida na arquibancada e tem gol de brasileiro. A primeira rodada do campeonato nacional foi realizada normalmente, como se nada estivesse acontecendo no resto do planeta. O país tem, até o último relatório, 57 casos da doença, com nenhuma morte confirmada. A federação local chegou a pensar em adiar o início do campeonato, o único que está sendo realizado na Europa, mas mudou de ideia e confirmou as partidas, distribuídas entre quinta passada e domingo.

O meia brasileiro Gabriel, que completou 24 anos neste sábado, fez sua estreia no Torpedo Zhodino em meio a esta situação um tanto sui generis. E foi uma estreia com pé direito, marcando o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Soligorsk, fora de casa. Acompanhado por pouco mais de mil torcedores, o jogo foi realizado sem nenhuma recomendação especial de prevenção ao coronavírus.

- Como aqui não tem muitos casos, segue tudo normal, com portões abertos e torcida no estádio. Acredito que eles tenham a situação sob controle, senão teriam o bom senso de poder paralisar a liga. O protocolo foi normal de um jogo de futebol. É uma situação um pouco complicada, pois ficamos preocupados com a nossa saúde, mas quando entramos dentro de campo tentamos não pensar muito nisso e focar apenas no jogo - disse o jogador ao GLOBO.

Gabriel iniciou nas categorias de base do Bahia. Depois de passar pelo sub-20 do Flamengo, acabou emprestado ao Cuiabá, onde se profissionalizou. A aventura europeia começou ano passado no Dínamo Batumi, da Geórgia, por onde atuou por uma temporada antes de se transferir ao Torpedo Zhodino.

- Chegar sozinho em um país que tem uma cultura totalmente diferente da sua é um pouco assustador. Ainda estou aprendendo o idioma deles. Mas com o tempo consigo me adaptar aos poucos.

A vida na pequena Zhodino, de pouco mais de 60 mil habitantes, segue praticamente inalterada - com exceção ao uso de máscaras por parte da população quando sai às ruas e os vidros de álcool em gel espalhados por estabelecimentos e também nas dependências do clube, que mantém a rotina normal de treinos.

O fato de um campeonato estar sendo disputado em meio à paralisação quase total no mundo jogou holofotes sobre uma competição que normalmente passa sem cobertura no Brasil. Gabriel, porém, não comemora a atenção que vem recebendo:

- Fiquei feliz em estrear com gol, mas acho que preferiria ficar no anonimato invés de ter essa atenção toda por conta de uma situação crítica que estamos passando.