'Na boca foi com soco inglês': músico detalha agressões sofridas por grupo suspeito de ser neonazista em SP

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RIO - O músico Dennis Sinned, de 38 anos, finalizava os preparativos para se apresentar em um bar na zona oeste de São Paulo, no último sábado. Por volta das 20h, ao se dirigir à calçada em frente ao estabelecimento, ele e mais um rapaz foram atacados por um grupo de dez a 12 homens. Os agressores, munidos até de soco inglês, não levaram pertences nem explicitaram o motivo. O caso, no entanto, levantou suspeitas de uma ofensiva neonazista e está sob investigação da polícia.

— Estou com a cara toda inchada, cotovelos inchados porque caí no chão, chutaram meu ombro também. A maioria foi chute, mas levei um soco na boca e está inchada. Eu identifiquei que na boca foi com soco inglês — disse Sinned ao GLOBO.

O episódio ocorreu no Dia da Consciência Negra, no Bomber Pub, um pequeno bar de Pinheiros que se descreve como "forjado na música subversiva". O local foi alvo, em 17 de outubro, de uma pichação que exibia uma suástica. No mais recente ataque, o estabelecimento anunciava em cartaz a banda de Sinned, declaradamente antifascista. Os elementos alimentaram a hipótese de uma ação planejada.

— A gente passou o som, e desci para a calçada. Do nada, eu e mais um rapaz começamos a ser agredidos. As meninas que estavam ali correram para dentro. Tomeio o prejuízo maior. O outro rapaz tomou uma voadora e socos, mas eu caí, recebi vários chutes na cabeça e só depois consegui levantar e entrar no bar — contou.

Segundo o músico, ele não conseguiu ver os agressores, com exceção de um que usava balaclava. Ao ser golpeado, caiu no chão e, por instinto, se protegeu. Durante a ação que durou menos de cinco minutos, ouviu repetidas vezes os suspeitos falarem: "Chuta na cabeça".

— Em cima de mim, tinha pelo menos uns cinco. Falaram que tinha por volta de 10 a 12 pessoas. Eu só via pé na minha cara — disse Sinned. — Era chute do tórax para cima. A ideia era no mínimo me desmaiar. É estratégico. Levantei duas vezes e caí de novo. Na terceira vez, quando consegui entrar no bar, eles foram embora.

Ensanguentado, o músico foi levado para o Posto de Saúde da Lapa. Na unidade, ele levou pontos na cabeça e na nuca e tomou vacina antitetânica. Os exames não constataram fratura, apesar dos hematomas.

Sinned registrou ocorrência neste domingo no 14º Distrito Policial de Pinheiros, onde foi submetido ao exame de corpo de delito. De acordo com o boletim, o caso foi tratado inicialmente como lesão corporal. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o episódio está sendo investigado, mas ainda não foi instaurado inquérito.

Um dos responsáveis pelo Bomber Pub disse ao GLOBO que o estabelecimento está levantando as imagens das câmeras de segurança e já tomou as medidas cabíveis por ora, além de prestar apoio ao músico.

O caso suscitou uma série de publicações em redes sociais atribuindo os ataques a um grupo neonazista, sugerindo inclusive a participação de estrangeiros. De acordo com Sinned, no entanto, todos os envolvidos falavam português.

— Entendi que não era assalto quando eles quebraram meu celular. Até então, achava que era assalto. Percebi que era questão ideológica quando vi que estava apanhando do nada. Até cair essa ficha, já tinha tomado vários chutes na cabeça — disse Sinned. — Para mim, foi uma ação planejada. Eles sabiam que iam ter militantes nas ruas.

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