Na cidade de SP, 82% da população já tem anticorpos contra o coronavírus

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SÃO PAULO -- A maioria da população adulta do município de São Paulo já adquiriu imunidade contra o coronavírus e, se infectada, deverá transmitir menos e desenvolver sintomas mais brandos da doença. Dados da 7ª fase do projeto de monitoramento da soroprevalência em São Paulo (SoroEpi MSP) mostram que 81,8% dos moradores com 18 anos ou mais já possuem anticorpos neutralizantes contra o vírus. Os exames sorológicos utilizados na amostra foram encerrados em 20 de setembro passado, o que indica que o percentual deve ser ainda maior atualmente, devido ao avanço da campanha de vacinação.

A presença de anticorpos neutralizantes é praticamente igual mesmo entre a população mais rica (81,3%) e a mais pobre da cidade (82,3%).

-- A pandemia está chegando ao fim -- afirmou o biólogo Fernando Reinach, responsável pela divulgação dos dados.

-- Pela primeira vez podemos dar uma notícia positiva e é devido ao aumento do número de indivíduos que tomaram a vacina, aliado aos que tiveram a doença e desenvolveram anticorpos.

Na 6ª Fase do projeto, divulgada em abril passado, apenas cerca de 16% da população havia sido vacinada, muitos apenas com a primeira dose, e apenas 41,6% da população possuía anticorpos contra o vírus. Entre os adultos mais pobres, porém, o percentual chegava a 47%, o que mostrava que eles eram mais suscetíveis à infecção.

Sem a vacina, a forma de proteção era o distanciamento social e, em alguns períodos, o lockdown. Com poucos vacinados, a presença de anticorpos detectada nos exames sorológicos, naquele período, era sinal de que a pessoa já havia sido contaminada.

Com a vacinação, que chegou a todos os postos de saúde, a vulnerabilidade diminuiu em toda a cidade, independentemente do local de moradia.

Os anticorpos neutralizantes são desenvolvidos por quem foi infectado pelo coronavírus ou tomou as vacinas Pfizer, AstraZeneca e Janssen, de dose única. No caso de quem tomou a Coronavac, que é feita com partes do vírus inteiro, os anticorpos são tipo nucleoproteína e o percentual é de 52,8% - e também inclui pessoas infectadas pelo coronavírus.

Em relação à 6ª Fase do estudo, a soroprevalência de anticorpos contra a nucleoproteína aumentou de 41,6% para 52,8%. O percentual dos que desenvolveram anticorpos neutralizantes passou de 33,3% para os atuais 81,8%.

Reinach afirma que a tendência é de redução das infecções e das mortes pela doença, a não ser que a sociedade seja surpreendida por alguma nova variante da doença.

Na segunda-feira, pela primeira vez desde o início da pandemia, o estado de São Paulo não registrou nenhum óbito em decorrência da Covid, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Segundo a pasta, foram registrados 359 novos casos.

Nesta sétima fase do projeto, encerrada dia 20 de setembro passado, 1.055 pessoas tiveram o sangue coletado em 160 censores censitários do município e foram submetidas a testes sorológicos dos laboratórios Abbott e Roche.

O projeto é uma ação de cientistas e médicos com o apoio do Grupo Fleury, Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria, Instituto Semeia e Todos pela Saúde – iniciativa lançada pelo Itaú Unibanco para enfrentar a COVID-19 e seus efeitos sobre a sociedade brasileira.

Reinach afirmou que, em dois anos de trabalho do grupo, não houve encontros presenciais e comemorou a possibilidade de poderem se encontrar a partir de agora.

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