Na Cisjordânia, um colono orgulhoso de seu vinho 'Pompeo'

Ben Simon
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O colono israelense Yaakov Berg exibe uma garrafa do vinho "Pompeo" em Psagot
O colono israelense Yaakov Berg exibe uma garrafa do vinho "Pompeo" em Psagot

Um ano atrás, Yaakov abria uma garrafa de seu vinho para agradecer Mike Pompeo pela postura adotada pelos Estados Unidos sobre as colônias israelenses. Hoje o chefe da diplomacia americana visitou a vinícola de Psagot, na Cisjordânia, ocupada por Israel.

Yaakov Berg chamou muita atenção quando, no ano passado, decidiu nomear um vinho como "Mike Pompeo", depois que este afirmou que as colônias não eram contrárias ao direito internacional.

Para o colono israelense, o nome que está na etiqueta de seu vinho tinto é certamente importante, assim como a hashtag que leva na parte superior direita, "#madeinlegality ("feito legalmente").

"Não roubamos esta terra", afirmou à AFP antes da visita de Pompeo, que tornou-se nesta quinta-feira o primeiro secretário de Estado dos EUA a visitar um assentamento israelense na Cisjordânia, perto de Ramallah.

No local, os preparativos lembravam uma festa, com bandeiras israelenses e americanas, instalação de uma tenda gigante, filas de cadeiras e ramos de flores.

Uma atmosfera que contrasta com a do final de 2016, quando uma decisão francesa obrigou Berg a rotular suas garrafas como produzidas em assentamentos israelenses e não como "made in Israel".

Furioso, Yaakov Berg lutou contra uma medida que considerou "antissemita e racista". Com um recurso de anulação apresentado pela Organização Judaica Europeia (OJE) e a sociedade de vinhos de Yaakov Berg, o conselho de estado francês recorreu à Justiça europeia, que validou a decisão francesa, que também exige que os produtos das colônias estejam etiquetados como tal.

- Patético -

Segundo Berg, a visita de Mike Pompeo a Psagot e sua posição a respeito da colonização israelense o introduzirão de forma duradoura "na história do povo judeu".

"Dentro de 100 anos", os judeus se lembrarão dele, garante o vinicultor. "Tenho a sensação de que é preciso honrá-lo, agradecer, me mostrar realmente agradecido", explica à AFP.

"Se as relações internacionais se baseiam em garrafas de vinho, então é a morte da diplomacia", criticou na terça-feira o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohamed Shtayyeh.

Os palestinos protestaram na quarta-feira em uma colina em frente a Psagot, alegando que o assentamento foi estabelecido em terras de propriedade palestina.

"Uma parte significativa das uvas com as quais se faz o vinho provêm de uma terra que foi saqueada", acusou a organização israelense anti-colonização A Paz Agora. A visita de Pompeo "é a última tentativa patética de minar as perspectivas de paz normalizando as colônias", acrescentou.

A colonização israelense acelerou nos últimos anos sob o impulso do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

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