Na contramão de acenos de Lula, PT ocupa mais da metade da transição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Petistas respondem até o momento por 27 dos 52 nomes anunciados para os grupos técnicos da equipe de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou pouco mais da metade.

Embora a indicação para esses cargos não garanta a nomeação como ministro, a proporção vai na contramão do que vem sendo prometido pelo presidente eleito, de fazer uma administração que vá além de seu partido.

Entre aliados, o temor é que mesmo que nos casos em que os ministros não sejam do PT, quadros do partido dominem o segundo escalão.

A superpopulação de petistas não foi bem digerida pelo mercado, especialmente os quadros que pertenceram ao governo Dilma Rousseff e ressurgiram agora, como Guido Mantega, Nelson Barbosa, Paulo Bernardo e Esther Duek. A onipresença de Aloizio Mercadante ao lado de Lula também não ajudou.

Nesta quinta-feira (10), a Bolsa desabou em razão da nomeação de petistas e outros acontecimentos em sequência.

O dia começou com a notícia da articulação para excluir o Bolsa Família do teto do gastos, seguiu com discurso de Lula que foi lido como falta de comprometimento com o ajuste fiscal e posteriormente com a divulgação dos nomes polêmicos do PT.

Segundo um aliado, teria sido melhor escalonar a sequência de más notícias para o mercado.