Na contramão de Bolsonaro, documento do Exército defende a quarentena

Roberto Maltchik, Marco Grillo e Maiá Menezes
Estrada do Portela, em Madureira, na Zona Norte do Rio, vazia na última sexta-feira

Um documento do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEX) defende o isolamento social como estratégia de combate ao coronavírus e diz que só a testagem em massa da população, para aferir com mais precisão o número de infectados no país, cria as condições necessárias para a retomada gradual das atividades econômicas. O distanciamento é a estratégia defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, além de ter sido adotado por governadores. Já o presidente Jair Bolsonaro, que é o chefe supremo das Forças Armadas, passou a defender o isolamento vertical, que prevê quarentena somente para grupos de risco, e permite a reabertura de estabelecimentos comerciais.

O estudo sustenta que em um cenário de aumento de casos, situação do Brasil no momento, são necessárias medidas como “isolamento horizontal”, “redução da atividade aos serviços essenciais”, “restrições ao movimento”, “testagem maciça” e “mobilização de instalações temporárias”.

“Embora ainda seja cedo para uma avaliação mais conclusiva, observa-se que a adoção precoce de estratégias de isolamento horizontal tem apresentado resultados parciais mais efetivos no achatamento da curva”, diz o documento, intitulado “Crise Covid-19: estratégias de transição para a normalidade”.

O texto ressalta que o isolamento por um tempo prolongado terá um forte impacto sobre a economia e, por isso, defende que o poder público priorize a construção de um caminho para amenizar os efeitos da pandemia.

Postado no site do CEEX, o documento foi retirado do ar ontem de manhã, logo após o EXTRA publicar reportagem sobre ele. Segundo o Exército, a página teve um pico de 148 mil acessos, não suportou e ficou fora do ar. No entanto, o EXTRA apurou que o estudo foi publicado por engano, por isso foi retirado do ar. No site , o Centro de Estudos Estratégicos do Exército destaca que os textos publicados são de “caráter acadêmico” e “não representam a posição oficial do Exército”.