Na contramão da Anvisa, comissão de ética defende continuidade de testes com Coronavac

NATÁLIA CANCIAN
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Uma das responsáveis por dar aval à realização de estudos clínicos com vacinas no país, a Conep (Comissão Nacional de Ética e Pesquisa), vinculada ao Conselho Nacional de Saúde, deu parecer a favor da continuidade dos estudos da vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Butantan. Os testes foram suspensos nesta segunda (9) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a quem também cabe a análise. Ao comunicar a decisão, a agência alegou ter recebido informações sobre a ocorrência de um evento adverso grave em um voluntário, o que levou à necessidade de interromper temporariamente os estudos para verificar o caso. Em nota, porém, a Conep disse avaliar até o momento que o caso "não tem relação com qualquer evento colateral dos estudos". Conforme a Folha de S.Paulo divulgou, a principal suspeita dos investigadores é a de que a pessoa, um químico de 32 anos, tenha cometido suicídio ou tido uma overdose -o que demonstra que o caso não teria nenhuma ligação com a vacina. "Entendemos que o óbito do voluntário não estava relacionado à aplicação da vacina, por isso optamos por não suspender os ensaios e recomendamos que os pesquisadores nos trouxessem apenas a avaliação final de seu comitê independente", informou em nota o coordenador da Conep, Jorge Venâncio. Atualmente, a Conep tem a responsabilidade de emitir pareceres sobre estudos clínicos. O foco da comissão é garantir segurança aos participantes dos testes. Para que a pesquisa possa seguir, porém, é preciso que haja aval também da Anvisa -a atuação dos dois órgãos ocorre de forma simultânea. Mais cedo, representantes da agência informaram que a decisão de suspender os testes foi técnica e ocorreu após a agência receber informações incompletas do Instituto Butantan, que deixaram dúvidas sobre o caso. Segundo representantes da agência, o estudo continuará suspenso até que todos os dados sejam avaliados. "Ainda mantemos a suspensão porque não temos evidências e dados que tragam confiança que o estudo pode continuar", afirmou o gerente-geral de medicamentos, Gustavo Mendes.