Na COP26, indígena leva beijo na testa ao pedir que Kátia Abreu impeça 'boiada'

·2 min de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 25.02.2021 - Entrevista com a senadora Kátia Abreu (PP-TO). (Foto: Raul Spinassé/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 25.02.2021 - Entrevista com a senadora Kátia Abreu (PP-TO). (Foto: Raul Spinassé/Folhapress)

GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) - A senadora Kátia Abreu (PP-TO) foi surpreendida por jovens brasileiros em frente ao pavilhão oficial do Brasil na COP26, nesta terça-feira (9). Ela recebeu uma caixa preta com a mensagem contrária ao projeto de lei 2.159/2020, que revisa a lei geral de licenciamento ambiental.

"Qual é o 2.159? Licenciamento?", perguntou a senadora, que é relatora do projeto no Senado. A jovem indígena Jaciara Borari, 26, respondeu então que barrar a "boiada" é uma missão possível. Em resposta, a senadora sorriu e lhe deu um beijo na testa.

"Fica tranquila, nada faremos contra nossa Amazônia", disse a senadora, despedindo-se do grupo.

O escopo do projeto, no entanto, é mais amplo do que o bioma amazônico e dispensa a maior parte dos empreendimentos de licença, avaliação e vistoria --o que lhe rendeu o apelido de "pai das boiadas" entre ambientalistas.

Aprovado pela Câmara dos Deputados no último maio, gerou alerta até de investidores internacionais. Para Abreu, o principal desafio na sua relatoria está nas decisões sobre obras de infraestrutura.

A senadora participa da COP26, junto a um grupo de parlamentares que elogia a nova postura do governo brasileiro na pauta ambiental.

Os jovens consideraram receptiva a reação de Abreu. Segundo a ONG Engajamundo, que criou a ação, a entrega da "caixa com a mensagem 'missão possível' foi inspirada em filmes de espiões, que recebem as missões em cartas e envelopes".

Quando era ministra da Agricultura, em 2010, Kátia Abreu havia recebido de ambientalistas o antiprêmio Motosserra de Ouro, por seu incentivo à flexibilização do Código Florestal. No último maio, ela declarou que iria transferir seu prêmio ao então ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente).

"Pelo menos eu era ministra da Agricultura", disse em tom irônico em vídeo nas suas mídias sociais.

Organizações formadas por jovens brasileiros também têm experiência em premiar líderes políticos com títulos irônicos.

Em 2019, Salles ganhou o prêmio Exterminador do Futuro, do movimento Jovens pelo Clima. No fim de 2019, o antecessor no ministério do Meio Ambiente, Edson Duarte, levou o título do Último que Liga para o Clima. Em 2016, o então ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ganhou um colar de pérolas, por declarações que minimizaram conflitos ambientais.

*A jornalista Ana Carolina Amaral viajou a convite do Instituto Clima e Sociedade.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos