Na COP26, príncipe Charles lança fórum de investidores junto a governadores do Brasil

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.10.2021 - O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), durante evento do partido, no hotel Holiday Inn, em São Paulo. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.10.2021 - O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), durante evento do partido, no hotel Holiday Inn, em São Paulo. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) - O príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, recebeu a coalizão Governadores pelo Clima nesta quinta-feira (4) durante a COP26, em Glasgow, para discutir investimentos em ações climáticas.

"O dinheiro está aí, mas precisamos que os governos deem os sinais certos ao mercado", ele afirmou no encontro.

A proposta britânica é levar ao Brasil uma mobilização de investimentos privados para projetos sustentáveis, a chamada Iniciativa de Mercados Sustentáveis (SMI, na sigla em inglês).

"Eu tenho buscado caminhos para os títulos verdes, mas há 15 anos os investidores não aceitariam o risco. Hoje, é uma oportunidade", disse o príncipe de Gales.

Entre as áreas que considera prioritárias, citou infraestrutura, soluções baseadas na natureza e também a polêmica geotecnologia de captura e armazenamento de carbono no subsolo --envolvida em um dos projetos que o príncipe deve visitar na sexta (5).

Estavam presentes na reunião os governadores Renato Casagrande (PSB-ES), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Mauro Mendes (DEM-MT), além de representantes de governos estaduais do Pará, São Paulo e Minas Gerais e o prefeito de Recife, João Campos.

Após a breve fala do príncipe, os brasileiros trouxeram exemplos de iniciativas locais, os objetivos climáticos dos estados e projetos que buscam investimentos.

A assessoria do príncipe pontuou que os investidores em geral buscam grandes projetos e que os pequenos poderiam ser reunidos por vários estados, formando uma grande aplicação.

"O Brasil tem capacidade de produzir projetos atraentes de pequena e de grande escala de infraestrutura sustentável, como água e saneamento, transportes, iluminação pública", pontuou o presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e da Associação de Brasileira de Desenvolvimento, Sérgio Suchodolski, que também se pronunciou na reunião.

Apesar da sala estar preparada com fones para tradução do inglês para o português, os aparelhos não funcionaram e, de improviso, uma da assessoras da iniciativa Governadores pelo Clima, Flávia Bellaguarda, dividiu-se para traduzir simultaneamente ao pé do ouvido do príncipe de Gales e também ao do governador Casagrande (Espírito Santo), com intervalos que geraram graça e se somaram ao tom de casualidade da conversa.

A despeito da proibição de fotografias comunicada pelos organizadores britânicos da reunião, ao fim do encontro os brasileiros sacaram os celulares e dispararam "selfies" com o príncipe, que aceitou as fotos com bom humor.

As quebras de protocolo foram absorvidas com tranquilidade pelos organizadores do evento, que se surpreenderam com a extensão da conversa. A presença do príncipe no encontro estava prevista para durar apenas trinta minutos, mas ele estendeu a conversa por uma hora e meia, ouvindo e respondendo às falas dos governadores e secretários com quem dividia a mesa.

O príncipe encerrou o encontro aplaudindo a adesão de dez estados à campanha Race to Zero, que reúne atores comprometidos com a eliminação das emissões de gases-estufa.

"Espero que vocês se tornem armas secretas extras", concluiu, em tom de brincadeira, após ter usado o termo para se referir a um de seus conselheiros na área florestal.

*A jornalista Ana Carolina Amaral viajou a convite do Instituto Clima e Sociedade.

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