Na Copa do Catar, promissora geração de Portugal se prepara para futuro sem Cristiano Ronaldo

Administrar um jogador com enorme talento e personalidade forte como Cristiano Ronaldo é tarefa complicada para qualquer time no mundo. A coisa fica ainda pior quando o mesmo vive o momento que talvez seja o mais turbulento da carreira — dispensado pelo Manchester United, sem clube e em meio a polêmica pelas críticas que fez ao clube do qual é ídolo. É nesse contexto tumultuado em que Fernando Santos tenta preparar sua seleção de Portugal para a estreia na Copa do Mundo do Catar, nesta quinta-feira, às 13h, contra Gana. Uma equipe que já ensaia para uma vida pós-CR7.

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No sábado, Bernardo Silva foi questionado cinco vezes sobre a polêmica entrevista de Cristiano ao jornalista Piers Morgan, que culminou em sua saída do clube inglês, e desconversou. Bruno Fernandes, agora ex-companheiro de clube, foi outro que teve que responder sobre o ambiente na equipe, após um vídeo levantar suspeita de problema de relacionamento entre os dois, o que o meia alegou tratar-se apenas de uma brincadeira. Ele elogiou o craque e afirmou que "não se sente desconfortável e nem precisa escolher um lado" na situação.

— É um grupo ambicioso e focado. Tenho certeza que a entrevista não vai mexer com a concentração e o foco no vestiário — afirmou CR7 um dia antes de sua rescisão ser anunciada. Desde então, ele só se manifestou via comunicado oficial sobre a situação.

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O técnico Fernando Santos ratificou na entrevista coletiva antes da estreia:

— Não, não acho (que incomoda), é um assunto que nem foi falado, nem um único comentário nos treinos, viagens, hotel. Não é tema nem assunto sequer para o próprio. Agora quando estão nos quartos já não sei para quem ligam. O importante é que os jogadores estão todos com um espírito fantástico.

Mais velho do elenco, Cristiano tem marcas importantes para bater no Catar: pode se tornar o primeiro jogador na história a marcar em cinco Copas do mundo, além de travar um duelo particular com o rival Lionel Messi pelo número de gols em Mundiais (no momento, ambos têm 7). Terá de superar um momento ruim dentro de campo, mas para isso, conta com o auxílio uma geração promissora, que parece cada vez mais preparada para suprir sua falta no futuro.

Nova geração viu CR7 brilhar

Um dos principais nomes é o de Rafael Leão. Alto, forte, dono de passadas largas e com faro de gol, o atacante do Milan, é um dos nomes para o futuro da equipe. Em sua primeira Copa do Mundo, buscará seu primeiro gol com a camisa portuguesa, provavelmente começando como titular.

Aos 23 anos, Leão fez parte de uma geração que cresceu e se profissionalizou assistindo Cristiano jogar. Assim como nomes importantes como o zagueiro Antonio Silva (19, jogador do Benfica), o lateral-direito Dalot (23, Manchester United), o zagueiro Ruben Dias (25, Manchester City), o meia Vitinha (22, PSG) e o atacante João Félix (23, Atlético de Madrid), que têm papeis importantes em gigantes europeus.

Além dos jovens em franca evolução, somam-se à mistura os já mais experientes Bruno Fernandes e Bernardo Silva, justamente os que ficaram a cargo de responder sobre o caso CR7. Líderes do elenco, são meias talentosos capazes de decidir jogos.

Para se ter uma ideia, quando Ruben Dias, o mais velho da lista, começava sua carreira profissional no Benfica, em 2017, Cristiano já tinha disputado três Copas do Mundo, faturaria sua quinta Bola de Ouro e já tinha conquistado o maior título da história do futebol português: a Eurocopa de 2016.

O torneio continental marcou uma espécie de passagem de bastão da antiga geração portuguesa: além dos experientes Rui Patrício, Cristiano e Pepe, que retornam para este Mundial, estavam em campo nomes experientes consagrados de uma antiga geração, menos brilhante em comparação ao potencial da atual, à época até criticada por não acompanhar o talento de seu principal jogador. Agora, a tendência é que o próprio Ronaldo comece a sair de cena.

Na época, jogadores como Nani, Quaresma e João Moutinho fizeram história para o futebol português em um momento de entressafra. Hoje, o sucesso daquela época pode ser visto com uma nostalgia positiva pelos portugueses. Pode ser que aquele não tenha sido um único sonho: o futebol dos novos anos 20 permite almejar o protagonismo, mesmo ao fim de seu mais lendário jogador.