Na CPI da Covid, Kátia Abreu faz duras críticas a Ernesto Araújo: ‘negacionista compulsivo, omisso’

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RIO — Durante o depoimento do ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo na CPI da Covid, no Senado, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) fez duras críticas ao ex-chanceler, chamando-o de um “negacionista compulsivo” e “omisso”. Ao criticar sua “memória seletiva”, a parlamentar relembrou momentos em que Araújo fez ataques à China e o acusou de sujar a imagem internacional do Brasil, levando o país à “irrelevância”.

— O senhor deve desculpas ao país. O senhor é um negacionista compulsivo, omisso. O senhor no MRE (Ministério das Relações Exteriores) foi uma bússola que nos direcionou para o caos, para um iceberg, para um naufrágio. Bússola que nos levou para o naufrágio da política externa brasileira — afirmou Abreu.

A senadora, que não faz parte da CPI, participou da sessão desta terça-feira como representante da bancada feminina no Senado. Abreu é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Casa.

Pouco após iniciar sua fala, a senadora rebateu as declarações feitas por Araújo durante a sessão, que negou ter causado atritos com a China por suas declarações à frente da Chancelaria brasileira.

— Eu imagino que o senhor tenha uma memória seletiva, para não dizer uma memória leviana. O senhor não se lembra de nada do que importa e do que ocorreu efetivamente. E se lembra de questões mínimas, supérfluas, e até mesmo não verdadeiras como o senhor vem fazendo aqui todo esse momento — disse.

A senadora listou alguns dos momentos em que o ex-ministro criticou o país asiático. Entre eles, citou o artigo que escreveu em seu blog intitulado “comunavírus”, as declarações que Araújo deu contra o que chamou de “tecnototalitarismo” no Fórum Econômico Mundial, e as críticas às relações econômicas com a China feitas por ele durante uma aula magna no Instituto Rio Branco.

Reunião ministerial

Abreu ressaltou ainda que o trecho censurado da reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, em abril do ano passado, era referente a um ataque feito pele então ministro à China.

— Quero lembrar ainda - que o senhor está esquecido, porque sua memória não é boa - uma reunião ministerial que houve no palácio aonde foram ditas algumas coisas e foi pedida a abertura dessas falas nessa reunião ministerial. E o ministro Celso de Mello autorizou. E a AGU pediu encarecidamente que um pedaço fosse retirado "pelo amor de Deus, ou vai dar um problema diplomático seríssimo". E adivinha de quem era esse trecho? De vossa senhoria, aonde o senhor atacava fortemente a China. E, portanto, o ministro Celso de Mello, graças a Deus, permitiu a retirada da sua fala, porque só estava fazendo bonito para a família Bolsonaro — disse Abreu, que completou: — Eu gostaria que o senhor tivesse coragem, podia repetir quais foram as palavras que o senhor disse lá. Porque nós poderemos pedir pela CPI a quebra desse sigilo e ver quais foram as palavras ditas naquela reunião ministerial.

A senadora já havia criticado fortemente Araújo enquanto ele ainda estava no cargo. Em março, Abreu rebateu a declaração do ex-ministro de que a pressão por sua demissão estaria relacionada ao 5g, e não a compra das vacinas. Na ocasião, a parlamentar disse que o 'Brasil não pode mais ter a face de um marginal'.

Na sessão desta terça-feira, Abreu chamou ainda, ironicamente, o ex-chanceler de “corajoso” por sempre criticar as relações comerciais do Brasil:

— O senhor criticou a nossa proximidade com a China, com a Europa, com os Brics e com os países da América Latina. O senhor, de fato, é um homem muito ousado, muito corajoso. Em algum momento o senhor se lembrou que estava lançando ao mar todo o trabalho de anos da diplomacia brasileira?

Antes de chegar à CPI, a senadora deu uma prévia no Twitter de como seria a sua participação na oitiva de Araújo.

— Nós vamos fazer uma oitiva com o ex-chanceler Ernesto Araújo, que era o ministro do Itamaraty e que infelizmente não praticou uma boa diplomacia, atrapalhou muito na busca das vacinas. Que Deus tenha piedade desta alma.

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