Na CPI, Pazuello mentiu sobre negociar vacinas e debochou de Renan

·2 minuto de leitura
Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na CPI da Covi no Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na CPI da Covi no Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
  • Com encontro fora da agenda para negociar vacina, general Eduardo Pazuello contradiz depoimento à CPI

  • Ex-ministro da Saúde negociou Coronavac com intermediadores pelo triplo do preço negociado com Butantan

  • Gravação mostra encontro com intermediadores para compra de 30 milhões de doses, em março

Apesar de ter afirmado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado que um ministro não pode negociar com uma empresa, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello se reuniu, em março, com um grupo de intermediadores para comprar 30 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac que foram formalmente oferecidas ao governo por quase o triplo do preço negociado pelo Instituto Butantan.

No depoimento, no dia 19 de maio, Pazuello ainda debochou do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Leia também:

“Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o ‘decisor’, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro. Se o ministro… Jamais deve receber uma empresa, o senhor deveria saber disso”, disse, na ocasião.

O jornal Folha de S. Paulo obteve a gravação de uma reunião fora da agenda oficial dentro do ministério em 11 de março, em que o general da ativa do Exército aparece ao lado de quatro pessoas que representariam a World Brands, uma empresa de Santa Catarina que lida com comércio exterior.

O encontro foi realizado no gabinete do então secretário-executivo da pasta, o coronel da reserva Elcio Franco. Segundo Pazuello, a compra seria feita diretamente com o governo chinês.

“Já saímos daqui hoje com o memorando de entendimento já assinado e com o compromisso do ministério de celebrar, no mais curto prazo, o contrato para podermos receber essas 30 milhões de doses no mais curto prazo possível para atender a nossa população”, diz o então ministro, na gravação.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

De acordo com a Folha, a proposta da World Brands oferece os 30 milhões de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac pelo preço unitário de US$ 28 a dose, com depósito de metade do valor total da compra (R$ 4,65 bilhões, considerando a cotação do dólar à época) até dois dias após a assinatura do contrato.

No encontro, um empresário que Pazuello identifica como "John" agradece a oportunidade do ministro recebê-lo e diz que podem ser feitas outras parcerias "com tanta porta aberta que o ministro nos propôs".

Em janeiro, o governo já havia anunciado a aquisição de 100 milhões de doses da Coronavac do Instituto Butatan, pelo preço de US$ 10 a dose.

O então ministro foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, quatro dias depois, no dia 15 de março.

A gravação já está de posse da CPI da Covid.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos