Na disputa para escolher rival de Trump, Bernie Sanders se isola e centro se divide

Pedro Doria

A segunda rodada das prévias do Partido Democrata, que ocorreu ontem em New Hampshire, não fez nada para clarear o cenário. Em primeiro lugar por margem estreita (26%), o senador Bernie Sanders se mostra forte perante a ala mais à esquerda do partido e entre eleitores com menos de 30 anos. Mas o centro mostrou uma força que as pesquisas não indicavam. O ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg (24%), chegou a um nariz de distância de Sanders, e a senadora Amy Klobuchar alcançou 20%, mostrando-se muito competitiva.

Para a senadora Elizabeth Warren (9%), é difícil imaginar como conseguirá reverter o cenário. Ao ex-vice-presidente Joe Biden (8%) resta um fio de esperança — a Carolina do Sul, com prévias no dia 29, e onde ele sempre contou com o voto negro. Mas, segundo as pesquisas, sua vantagem perante este eleitorado já começa a ser corroída pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Ontem, uma antiga gravação de Bloomberg defendendo que a polícia atue de forma mais incisiva com jovens negros e latinos começou a circular na rede. É o mais forte indício do nível de preocupação da campanha de Biden. Se ele não tiver uma vitória arrebatadora, lá, é impensável que continue na disputa com chances.

A sorte de Sanders é que ele se isola na esquerda enquanto o centro se fragmenta. Desde Iowa, Buttigieg já se mostrava competitivo. Agora, foi Klobuchar quem demonstrou força, e Bloomberg está gastando fortunas a mais em publicidade de TV nos estados que terão primárias em 3 de março. É a Super Terça-Feira, que pode até definir o vencedor, tantos são os delegados em jogo.

Em geral, após New Hampshire a disputa já está definida entre dois nomes. Neste pleito de 2020, há quatro ou cinco.