Na erro sobre o primeiro caso do coronavírus, como se confundiu janeiro com março?

Ana Lucia Azevedo

Doentes e mortos com suspeita de Covid-19 no Brasil estão sem testes. Há uma fila de cerca de 24 mil amostras à espera de resultados. Não há exames suficientes nem para eles nem para os profissionais de saúde. Mas a tragédia das notificações dá sinais de ser ainda pior no país e de que erros graves são cometidos. Após anunciar que o primeiro caso era da quarta semana epidemiológica, de 23 de janeiro, o Ministério da Saúde se corrigiu e disse que esse caso, o de uma senhora de Minas de Gerais de 75 anos, é, na verdade, de 25 de março.

O primeiro caso no Brasil é de óbvia importância e se imagina que uma informação dessa magnitude seja - ou deveria ser - checada e confirmada. Pelo visto, não foi. O ministério disse que a culpa é da Secretaria estadual de Saúde de Minas Gerais, que alterou depois a data de 23/1/2020 para 25/3/2020.

Como se confunde janeiro com março e os dados da quarta semana epidemiológica pelos da oitava? Que grau de confiança pode haver nas notificações com erros de tamanha gravidade, já que foi preciso fazer um anúncio nacional de tamanho impacto para que ele fosse finalmente notado pela secretaria mineira? Fica, no mínimo, a dúvida sobre quanto casos podem ter sido mal notificados em Minas Gerais, que confunde 23 com 25, janeiro com março e troca semanas epidemiológicas. A única certeza é que o coronavírus se espalha com muito mais eficiência do que temos capacidade de registrá-lo.

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