Na Eslováquia, papa pede fraternidade que atravesse fronteiras na Europa

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Papa Francisco é recebido pelo presidente da Eslováquia, Zuzana Caputova, em Bratislava, em 13 set. 2021 (AFP/JOE KLAMAR)

Em visita oficial até quarta-feira (15) na Eslováquia, o papa Francisco fez um apelo, nesta segunda-feira (13) por uma "fraternidade" que atravesse fronteiras na Europa, no momento em que o Velho Continente busca reativar sua economia após a pandemia da covid-19.

"Fraternidade é do que precisamos para promover uma integração cada vez mais necessária", disse o papa argentino ao falar perante as autoridades políticas e civis da Eslováquia.

"Esta (fraternidade) é urgente agora, num momento em que, depois de meses muito duros de pandemia, se apresenta, junto com muitas dificuldades, uma esperada reativação econômica, favorecida pelos planos de recuperação da União Europeia", afirmou.

O papa chegou no domingo (12) a Bratislava, após uma escala em Budapeste, na Hungria, onde teve um encontro a portas fechadas com o líder Viktor Orban.

No início do ano, a Eslováquia registrou uma das mais elevadas taxas mundiais, por habitante, de contágio e de mortalidade por covid-19. Desde o início da pandemia do coronavírus, este pequeno território de 5,4 milhões de habitantes acumula mais de 12.000 mortes.

Francisco se referiu à história da Eslováquia como uma "mensagem de paz", destacando o nascimento "sem conflitos" de dois países independentes há 28 anos: a República Tcheca e a Eslováquia.

"Que este país (...) reafirme sua mensagem de integração e de paz, e que a Europa se distinga por uma solidariedade que, atravessando as fronteiras, possa levá-la de volta ao centro da história", pediu.

Em novembro de 2020, o sumo pontífice publicou uma encíclica intitulada "Fratelli tutti" (Todos Irmãos). Nela, clama por um mundo mais solidário com os mais fracos para romper o "dogma neoliberal".

Nesta segunda-feira, Francisco reiterou que, em um mundo totalmente interconectado, "ninguém pode se isolar, seja como indivíduo, ou como nação", o que é, no seu entender, a grande lição da pandemia da covid-19.

Defensor de um "mundo novo" e "mais justo" no pós-pandemia, o papa disse acreditar que o futuro deve incluir a "luta contra a corrupção" e o direito ao trabalho.

Pediu aos eslovacos, que já viveram sob um regime comunista (um pensamento único que "restringia a liberdade", conforme Francisco), que não se deixem levar por outra ideologia "vazia de sentido": o individualismo.

No final de 2020, a Eslováquia adotou medidas para eliminar a corrupção no Poder Judiciário, uma anunciada prioridade do governo de centro-direita eleito neste mesmo ano, após a onda de protestos pelo assassinato de um jornalista em 2018.

O país elegeu um novo governo na primavera (outono no Brasil), o que encerrou uma crise política desencadeada pela decisão do anterior primeiro-ministro de comprar vacinas russas anticovid-19 Sputnik V.

Ainda nesta segunda-feira, Francisco se reúne com a pequena comunidade judaica, em um país onde o antissemitismo continua muito presente.

Três dias antes da chegada do papa, Bratislava se desculpou formalmente pelo sombrio legado da época do presidente Jozef Tiso, um padre católico que concordou em enviar dezenas de milhares de judeus para os campos de extermínio alemães.

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