Na Fiesp, Bolsonaro sugere a empresários que anunciem suas marcas na imprensa alinhada ao governo

***FOTO DE ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, 20.02.2020 - O presidente Jair Bolsonaro, ao lado dos ministros Paulo Guedes (Economia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (GSI) e do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante cerimônia de lançamento do programa de taxa fixa no crédito imobiliário da Caixa, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em reunião na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) nesta quinta-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) orientou empresários a anunciarem suas marcas em veículos de imprensa condizentes com o que eles acreditam, ou seja, que demonstrem otimismo com o país e sejam mais alinhados ao governo federal.

O encontro foi fechado aos jornalistas. Segundo relatos de participantes, o presidente criticou a cobertura geral da imprensa, que considera crítica demais, e sugeriu que os empresários não financiem veículos que trabalham com o que ele chamou de notícias fabricadas.

Na quinta-feira passada (27), em sua live nas redes sociais, o presidente já havia afirmado que pediria aos empresários que não anunciassem em veículos que mentem e trabalham contra o governo.

A reunião desta quinta-feira em São Paulo com cerca de 40 empresários, que marcou a fundação do "Conselho Superior Diálogo pelo Brasil", teve um tom positivo com os rumos do país, com dirigentes dos principais grupos empresariais fazendo elogios à condução econômica pelo governo Bolsonaro.

Nesse sentido, Bolsonaro sugeriu que os empresários anunciassem em veículos que compartilhem dessa visão otimista. Ele afirmou que há jornais e jornais, e que os empresários deveriam escolher os de grande circulação mais alinhados ao governo para fazerem seus anúncios.

Em pronunciamento nas redes sociais na semana passada, Bolsonaro defendeu que empresas não anunciem em veículos de comunicação que "só mentem o tempo todo" e "trabalham contra o governo".

Ele disse na ocasião que o empresário que divulga anúncio em veículos críticos "ajuda o Brasil a afundar". As declarações foram dadas na live em meio às explicações dele sobre a crise política que ele mesmo criou ao ter compartilhado um vídeo em apoio a um protesto convocado para 15 de março contra o Congresso.

Em outros momentos do governo, Bolsonaro já havia tratado de anunciantes de jornais, ameaçando cortar anúncios e boicotar produtos de anunciantes.

Na Fiesp, sempre segundo presentes ao encontro, Bolsonaro não fez menção a veículos específicos, a não ser quando citou o jornal O Globo para dar um exemplo, mas não para criticá-lo especificamente.

O presidente também fez um apelo para que os empresários se posicionem publicamente para demonstrar as boas expectativas com o governo, pois esses também são formadores de opinião pública.

Bolsonaro não chegou a fazer um pedido explícito de defesa do governo, mas sugeriu que os empresários falassem sobre a realidade política e econômica que eles enxergam, e que, na opinião do presidente, não é a que está refletida nas reportagens da imprensa.

De forma mais explícita que Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também fez esse apelo para que que os empresários se posicionem.

Bolsonaro disse aos empresários, segundo a reportagem apurou, que eles reduziriam custos com a medida provisória que desobrigava empresas de publicarem suas demonstrações financeiras em jornais de grande circulação.

A iniciativa apresentada pelo Executivo não chegou a ser analisada pelos plenários da Câmara e do Senado, passo necessário para que se transformasse em lei, e acabou caducando.